UNIVERSIDADE SOLIDÁRIA: O BRASIL VISTO POR DENTRO

Luis Antonio Bittar Venturi [1]

 

 

RESUMO:

Este artigo apresenta o resumo de um extenso relatório de trabalho de campo voluntário desenvolvido por uma equipe composta por dez alunos de diferentes unidades da USP, sob minha coordenação. O trabalho foi realizado entre os dias 09 e 31 de julho de 2002 no município de Traipu (AL) e esteve vinculado ao Programa Universidade Solidária, à Pró-Reitoria de Extensão e Cultura e à CECAE-USP [2].  As etapas preparatórias do trabalho estão brevemente descritas, desde o processo de seleção e capacitação dos alunos, a concepção e elaboração das atividades  desenvolvidas a partir de um diagnóstico feito por ocasião de uma viagem precursora ao Município, além da leitura dos relatórios das equipes que haviam ali atuado anteriormente. Este resumo apresenta, ainda de forma esquemática, todas as atividades desenvolvidas pela equipe junto à comunidade e algumas considerações finais a respeito do Programa Unisol.

 

PALAVRAS-CHAVE:

Comunidade, Universidade Solidária, ação

 

 

ABSTRACT:

This article presents a summary of an extensive account of voluntary work developed by a group of 10 students from different departments of USP, by my co-ordination. The work was done in July, between 9th and 31 of July of 2002 in Traipu, in State of Alagoas, and was joint the Solidary University Program and different departments of USP. All actions to prepare the wild trip work are briefly exposed, since the student selection, their improvement to the work, the activities conception based in a previous trip to Traipu and over the previous report about this city. This abstract still presents a table of all actions developed by the group in that community and some considerations about the Solidary University Program.

 

KEY-WORDS :

Community, Solidary University, action

 

 

O PROGRAMA UNIVERSIDADE SOLIDÁRIA  NO CONTEXTO DA USP

 

A adesão da Universidade de São Paulo ao Programa Universidade Solidária torna-se extremamente relevante, na medida em que representa uma forma de extensão da experiência universitária e até mesmo de redistribuição de recursos aplicados na educação pública. A Universidade de São Paulo tem se tornado, historicamente, uma instituição que se reveste cada vez mais de um caráter restrito e elitista, já que a demanda por seus cursos aumenta de forma acelerada, sem que o mesmo ocorra com a oferta de vagas. Assim, o que seria um direito, estudar em uma universidade pública e gratuita, começa a confundir-se com um privilégio. Além do limite de vagas, a democratização da universidade pública deve questionar para quem tem sido direcionado o conhecimento produzido. Quanto mais o processo de elitização se acentua, mais importante se torna a participação da USP em programas de extensão universitária.

Como resultado desse processo, contudo, a Universidade acaba por dispor de um grande potencial humano, que pode oferecer valiosa contribuição para o País. E em contrapartida, os alunos que integram o programa têm uma chance a mais de enriquecer seus conhecimentos sobre o Brasil, sob aspectos territoriais, sociais, culturais, etc., e de adquirir uma consciência mais realista sobre a sociedade brasileira. Esse enriquecimento os acompanhará no decorrer de suas vidas profissionais, ou seja, se estenderá por muito mais tempo do que aquele em que atuaram no campo. Os resultados, embora pareçam restritos para aqueles que atuam diretamente no campo e têm consciência das dimensões do País, podem ser muito mais amplos se considerarmos que as experiências adquiridas, tanto pelas comunidades visitadas como pelos estudantes, são bens adquiridos e que, pela sua imaterialidade, permanecerão.

 

 

CARACTERIZAÇÃO DO MUNICÍPIO ESCOLHIDO

 

O município de Traipu situa-se na Região Nordeste do Brasil, ao sul do Estado de Alagoas, nas coordenadas 37o W e 10o S. Limita-se ao sul pelo Rio São Francisco, ao norte com o município de Girau do Ponciano e Jaramataia, a leste com os municípios de São Brás, Olho D’Água Grande e Campo Grande e, a oeste, com os municípios de Belo Monte e Batalha. Além do rio São Francisco, as principais vias de acesso à Traipu são as rodovias estaduais AL487 e AL221.

Na transição entre o agreste e o sertão, Traipu apresenta um clima tropical com características de semi-aridez. Sob um baixo índice pluviométrico, desenvolve-se uma vegetação pouco densa e, não raro, retorcida, como o umbuzeiro e o cajueiro, além de cactáceas como o mandacaru e coroa-de-padre. O angico, a mamona e o curicuri também são freqüentes na flora da região. Não foi feito um estudo geomorfológico do Município como um todo, mas nas áreas próximas ao rio São Francisco, predomina um modelado de relevo dissecado de vertentes íngremes, entremeado por planícies de sedimentação recente nas áreas próximas aos cursos fluviais. O rio Traipu, que nasce na Serra do Gigante e deságua no São Francisco, emprestou seu nome ao Município. As rochas metamórficas e ígneas que sustentam as estruturas de relevo não geraram solos profundos, dadas as características climáticas desfavoráveis à intemperização química.

Apesar de ser o 2o  maior município de Alagoas em extensão territorial, com 550 km2, Traipu conta com apenas 23.436 habitantes (Censo IBGE, 2000), o que resulta em uma baixa densidade demográfica.

 


 

 

 


Figura 1 - Localização do município de Traipu no Estado de Alagoas

 

 

Do total de habitantes, apenas 30% vivem na área urbana. Diversos povoamentos espalhados caracterizam Traipu como um município essencialmente rural e agrícola, além da atividade pesqueira nas áreas ribeirinhas. A economia de Traipu, antes fundamentada essencialmente na orizicultura e na pesca, foi seriamente afetada, ao que parece, pelo impacto da barragem de Xingó, a montante do Município. Ainda que nesse trecho o rio São Francisco se caracterize por um rio de planalto com forte entalhamento na superfície, a drástica diminuição do débito fluvial e, consequentemente, das cheias necessárias à fertilização das várzeas, praticamente dizimou a cultura de arroz. Por outro lado, a diminuição de sedimentos na água e o impedimento da migração dos peixes para a reprodução, comprometeram seriamente, ao que tudo indica, a atividade pesqueira, ainda que não tenham sido realizados estudos sistemáticos para fundamentar tais afirmações, existindo apenas fortes evidências. Espécies da fauna marinha passaram a ser encontradas com freqüência a mais de 150 km da foz, rio acima, o que pode nos dar idéia da dimensão dos impactos de Xingó. Atualmente, a economia baseia-se na cultura de feijão, milho, mandioca e pecuária de corte, predominando a produção de subsistência.

Em relação à Educação, cerca de 8 mil estudantes dividem as vagas em escolas públicas de ensino fundamental, médio e do projeto Recomeço (Educação de jovens com mais de 15 anos e adultos). Na Saúde, no entanto, os números são menos animadores. Traipu apresenta, atualmente, um alto índice de mortalidade infantil e a diarréia é a principal doença que acomete as crianças. Este fato relaciona-se com  problemas na qualidade da água, no tratamento de esgoto e lixo e à falta de assistência médica. Há apenas uma maternidade que funciona em condições precárias e a água tratada atende apenas a sede municipal (19,73% dos domicílios). Não há tratamento de esgoto e o lixo, quando coletado, é depositado a céu aberto. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, 54,81% dos habitantes não tratam da água que consomem; 58,86% do esgoto escorre a céu aberto e 57,72% do lixo não é coletado. Este Estado possui um IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) baixíssimo, na frente apenas do Estado do Piauí.  Ele abriga sete dos dez municípios mais pobres do Brasil e, embora Traipu não participe dessa triste lista, não se afasta muito dela. Assim, saúde e meio ambiente ressaltaram como temas que iriam ser tratados com prioridade pela equipe da Universidade Solidária.

Alguns aspectos, porém, são muito positivos em Traipu. Manifestações da cultura regional aparecem todo o tempo, sob diversas formas.  Bandas, bordadeiras, artistas plásticos e escritores compõem um cenário alegre que foi incorporado nas atividades do Unisol, já que se pensou em trabalhar também com a valorização cultural da comunidade. Muitas construções antigas, ainda que modestas, permanecem relativamente preservadas. As ruas estreitas, o arvoredo e a proximidade com a água do São Francisco são aspectos que se combinam e se traduzem em uma atmosfera bucólica. Esse clima se completa no entardecer, quando muitos moradores permanecem nas calçadas, conversando, bordando ou ouvindo música, o que torna os passeios a pé muito agradáveis.

A Agenda 21 de Traipu foi elaborada e permanece como um documento formal, à espera de vontade política que encare com seriedade as boas intenções ali elencadas. Problemas de ordem política e administrativa compartilham, com a escassez de recursos aplicados em infra-estrutura básica, os principais males que dificultam o desenvolvimento socio-econômico da comunidade traipuense, além de desfavorecer o amadurecimento da cidadania. Política patriarcal, votos de cabresto, troca de favores por cargos e perseguições, embora não sejam prerrogativas deste município, permeiam a vida política dos cidadãos traipuenses. Esse quadro político e a falta de opções de outras vias de desenvolvimento, acabam tornando a maioria dos cidadãos, de alguma maneira, coadjuvantes de um contexto desfavorável a eles próprios. Este contexto é um reflexo local daquilo que a ONU identificou no Brasil, no Relatório do Desenvolvimento Humano (publicado em 23/07/2002). Neste relatório, a pobreza aparece relacionada a fatores políticos tanto quanto econômicos. A política seria tão importante para o desenvolvimento social quanto a economia, não podendo assim ser negligenciada.

 

 

EXPERIÊNCIAS ANTERIORES E VIAGEM PRECURSORA

 

A leitura dos relatórios das experiências anteriores do Programa Unisol em Traipu foi o primeiro passo para se conhecer a realidade que iríamos vivenciar e as dimensões das ações que poderíamos empreender. O fato de o coordenador das viagens anteriores, o professor Eronaldo Bonfim Rocha (IAG) ter me acompanhado na viagem precursora teve um grande valor. Os interlocutores foram já apresentados e a “transferência” de responsabilidades ocorreu de forma mais amena. Efetivamente, esta viagem possibilitou uma atualização das informações obtidas em relatórios anteriores, além de confirmar as demandas do Município e identificar outras possíveis. Foi também a oportunidade de resolver onde seria nossa hospedagem, quem nos auxiliaria na alimentação, quais seriam os espaços possíveis de serem utilizados em nossas atividades, etc.

 

 

PROCESSO DE SELEÇÃO, CAPACITAÇÃO E ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO DE CAMPO

 

O processo de seleção dos alunos deveria ocorrer após a viagem precursora, para que a seleção atendesse as demandas com precisão. Por problemas de ordem organizacional, no entanto, tudo ocorreu concomitantemente e com prazos já exíguos. A seleção já havia começado e tomei parte da leitura e seleção das fichas de inscrição dos alunos, discutindo superficialmente os critérios utilizados na escolha dos alunos. Um certo atraso ocorria no processo seletivo e também nos trabalhos de capacitação da equipe já composta; todos os alunos, exceto aqueles da FFLCH que se encontravam em greve, estavam em época de prova e fechamento de semestre. Eu mesmo havia esclarecido que não poderia me dispor integralmente ao Programa nessas fases preparatórias. Este fato pode ter comprometido, em certa medida, os preparativos da viagem, mas certamente o mesmo não ocorreu efetivamente com o trabalho de campo, já que, mesmo carente de tempo para o amadurecimento das idéias e para a concepção das atividades, a equipe sempre manifestou muita força, vontade e um grande potencial de atuação em trabalhos desta natureza, o que se confirmou em campo. Além disso, foi em campo, após dois dias de reconhecimento e contatos com a comunidade, que a equipe passou a se sentir mais segura e mais realista diante das possibilidades de atuação. Muitas novas idéias surgiram depois de nossa chegada e, por isso, a elaboração do Plano de Atividades foi decorrente de  muitas discussões. A equipe contou com dez alunos: do campus  de Ribeirão Preto foram escolhidos dois alunos de Medicina, uma da Enfermagem e um da Economia; de Piracicaba escolheu-se um aluno de Engenharia Agronômica; e da capital, uma da ECA (Rádio e TV), um das Ciências Sociais, um da Matemática, uma da Arquitetura e um aluno da Medicina Veterinária. Infelizmente nenhum aluno da Geografia integrou o grupo. Os alunos compunham uma equipe bastante jovem (entre 18 e 25 anos) mas muito heterogênea, inclusive etnicamente, o que enriqueceu os trabalhos.

No processo de capacitação dos alunos foram passadas as informações sobre o Programa Unisol e seu caráter exclusivamente educacional. Também foi feito um breve diagnóstico do município de Traipu confirmando-se como demandas principais os temas saúde e meio ambiente. Assim, já foram surgindo idéias de formas de atuação. Nas reuniões seguintes reuniu-se uma considerável quantidade de material, além do material do Unisol que havia chegado, como livros, vídeos, bolas (o Programa inclui atividades lúdicas como forma de integração com a comunidade), etc. Todo o trabalho restante tratou da triagem desse material, associando-os às atividades que iam sendo concebidas. Ainda tudo era muito vago; a equipe sentia-se um pouco insegura quanto à sua preparação. Eram muitas idéias e poucas estratégias de ação definidas. A criação de um grupo de discussão (e-groups) possibilitou a comunicação permanente entre o grupo; muito envio de material, troca de informações e mesmo esclarecimento de dúvidas foram feitos pela Internet. Alguns alunos nunca tinham viajado para um interior tão longínquo; outros não tinham nenhuma experiência com trabalhos comunitários de caráter voluntário, como este.

O planejamento dos trabalhos que seriam realizados em Traipu só foram mesmo concluídos após o segundo dia de nossa estada no Município. Os detalhes de cada atividade e a preparação das estratégias de desenvolvimento das ações eram sempre acertados no dia anterior, em reuniões que chamávamos de capacitação interna. As atividades desenvolvidas serão, por falta de espaço, apenas relatadas de forma muito breve. Todos os detalhes estão exaustivamente descritos na versão completa deste relatório, à disposição na CECAE-USP.

 

 

O TRASLADO E A CHEGADA EM TRAIPU

 

A equipe viajou no dia 09 de julho. O Plano de Transporte havia sido emitido pela coordenação nacional do Unisol, apenas três dias antes do embarque. Todo o material adquirido pela CECAE para a execução dos trabalhos (tintas, papéis, notebook, filmes fotográficos, etc.), além daqueles enviados pela coordenação nacional, constituíam um grande volume de bagagem. Cada aluno dispunha de uma ajuda de custo de R$ 200,00 para as despesas pessoais nos 21 dias que passaríamos em campo, excluindo-se transporte aéreo, traslados, estada e alimentação. Vários outros grupos do Unisol viajavam naquele mesmo dia para diferentes destinos. Uma perua aguardava-nos no aeroporto de Maceió para nos conduzir a Traipu e esse percurso foi feito com muita expectativa por parte da equipe. Chegamos em Traipu por volta de 20h00 do dia 09 de julho e, após uma breve refeição, seguimos para a casa que iria nos abrigar. Para a nossa surpresa não era a mesma casa que havia sido tratada na viagem precursora (devido a problemas políticos entre o prefeito e o dono da casa); mesmo assim a equipe se sentiu bem na nova casa escolhida, ainda que com apenas dois quartos e um banheiro que funcionava precariamente. Logo em seguida, por volta de 22h00 recebemos a visita de Jenner Glauber, o secretário de Educação, nosso interlocutor. Ele nos deu as boas vindas e conversou sobre as razões da mudança da casa, além de fatos diversos sobre o Município, especialmente sobre as dificuldades políticas e financeiras que enfrenta na secretaria que administra.

 

 

OS TRÊS PRIMEIROS DIAS

 

A jornada do dia 10/07 começou às 07h00 com uma visita à estação de tratamento de água da cidade. Após uma breve sobre a estrutura e funcionamento da estação, agendamos uma próxima visita na qual faríamos coleta de amostras para serem analisadas, já que eles próprios alegaram desconhecer os resultados das análises feitas pela empresa estatal (CASAL). Nesta visita, levamos novos regulamentos (portarias federais) sobre tratamento de água, como a obrigatoriedade de adição de flúor, por exemplo.

O restante do dia foi marcado por visitas e encontros aos agentes multiplicadores, ou seja, professores, artistas, conselheiros tutelares, agentes de saúde, sindicalistas, agentes da polícia ambiental, líderes rurais e pessoas do poder público. Esses encontros tinham a finalidade de fazer a equipe e a comunidade familiarizarem-se mutuamente, além do agendamento de reuniões para os próximos dias. A forte chuva manteve todo o grupo em casa no fim de tarde e noite, quando foram organizados os materiais trazidos de São Paulo.

No dia seguinte, os grupos se dividiram pela manhã e partiram em diferentes direções. O primeiro foi à reunião na Secretaria de Saúde, marcada na véspera, para definir os temas que seriam abordados na capacitação dos agentes de saúde. Um segundo grupo foi à Secretaria de Educação para definir datas, locais e temas que seriam trabalhados  em oficinas com os professores do Município. Um terceiro grupo foi à estação de tratamento de água proceder a coleta de amostras. Já nesse momento, constatou-se infestação de anuros no reservatório final de água tratada, o que nos fez apressar o envio das amostras para São Paulo para uma análise mais precisa.

No terceiro dia, a equipe continuou fazendo contatos, agendando atividades e, principalmente, familiarizando-se com a comunidade. Deparavam-se com um contexto, por vezes pior do que o esperado: crianças acometidas por esquistossomose, verminoses, doenças congênitas, completamente sem assistência; moradias sem água encanada com esgotos correndo pelas ruelas e lixo amontoado pelos cantos. Estes fatos nos fez programar as atividades com mais rigor e mais realismo e, ao final do terceiro dia, já tínhamos montado todo o plano de atividades para os 18 dias que ainda restavam. Constantes adaptações eram feitas no plano ao longo dessas três semanas, tanto no que se refere ao conteúdo como nas formas de atuação. Esquematicamente, o plano de atividades foi dividido em temas, tipo de atividade, público alvo, local e duração, como mostra o quadro seguinte:

 

 

 

 

 

 

Temas

 

Tipo de atividade

Formas de ação

Público alvo

Local

Duração

SAÚDE

(gestação, aleitamento)

Cursos de capacitação

Oficinas, reuniões, palestras

Agentes de Saúde

Maternidade e Secretaria de Saúde

8 encontros de 4 horas cada

SAÜDE

(DST, contracepção)

Dinâmicas de grupo, teatro, palestra

Oficinas, reuniões, vídeos

Mães e adolescentes

Escola e Maternidade

4 encontros de 4 horas cada

SAÜDE (alimentação, higiene, etc.)

 

Conversas com a comunidade

Banca de alimentos alternativos

Público em geral

Feita livre

4 horas

MEIO AMBIENTE (lixo)

 

Campanha

Mutirão e atividades lúdicas

Crianças e público em geral

Margem do rio, ruas e praças

6 horas

MEIO AMBIENTE

(esgoto)

Conversas com a comunidade

 

Visitas a fossas sépticas em construção

Homens

Povoado rural

(Bom Jardim)

6 horas

MEIO AMBIENTE

(conservação dos solos)

 

Orientação e repasse de informações

Reunião e visitas a assentamentos

Agricultores

Povoado rural

(Sítio Novo)

2 reuniões de 4 horas cada

MEIO AMBIENTE

(água)

 

Repasse de informações técnicas

Reunião e visita à estação de tratamento

Técnicos da prefeitura

Secretaria de Obras e estação de tratamento

3 reuniões de 4 horas cada

MEIO AMBIENTE

(Rio São Francisco)

 

Conversas com a comunidade

Reunião

Pescadores

Entreposto de peixes

4 horas

MEIO AMBIENTE

(reciclagem)

 

brincadeiras

Oficinas de reciclagem

Crianças e adolescentes

Escola pública

4 oficinas de 4 horas cada

ORGANIZAÇÃO SOCIAL

Orientação e repasse de informações

Reunião

Comunidade rural

Sede de assentamento rural

2 reuniões de 4 horas cada

Cultura

 

Evento (Barracão Cultural da Cidadania)

Exposição e ensino de arte

artistas e público em geral

Praça pública

2 dias de 8 horas cada

 

 

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

 

                Embora exista a orientação da coordenação nacional do Unisol para se evitar envolvimentos com questões políticas e religiosas locais, algumas considerações devem ser feitas, na medida em que algumas dessas questões interferem, se não na atuação do grupo, pelo menos nos resultados alcançados. Dificuldades de atuação e resistência de alguns setores da sociedade decorrem de interesses ou vínculos com o poder público local, nem sempre muito favorável à presença do grupo. Como trabalhar a questão da evasão escolar junto aos pais e alunos se há retenção de merenda e desvio de verbas da educação? O trabalho de conscientização e organização social também enfrenta dificuldades em um contexto no qual os meios de comunicação são controlados por uma elite política de caráter coronelista; no qual o direito de ser transportado por uma ambulância está atrelado a um compromisso eleitoral; no qual os votos são comprados como iguarias na boca das urnas e recursos federais são usados como instrumentos de uso político. Os secretários municipais, apesar de colaborarem com o programa Unisol são obrigados a demonstrar apoio explícito ao candidato ao governo do Estado apoiado pelo prefeito, no caso, Collor de Mello. Tem-se a impressão de que os problemas de Traipu são mais políticos do que econômicos, ou pelo menos na mesma medida. É certo que a barragem de Xingó causou forte impacto na economia dos municípios a jusante, tanto em relação à pesca, pela diminuição de água e sedimentos, como em relação à orizicultura, pelas mesmas razões.

Assim, talvez seja necessário a coordenação nacional reunir todos os professores coordenadores que trabalharam no Programa Universidade Solidária, para que o relato de suas experiências subsidiem uma discussão sobre os critérios de escolha dos municípios a serem visitados pelo Programa, além de uma avaliação dos resultados dos trabalhos de campo. Outro aspecto que deve ser considerado refere-se à efetiva continuidade dos trabalhos das equipes. O fato de municípios terem sido visitado três vezes (como Traipu, pela equipe da USP) ou até mesmo quatro vezes (como Olho d'água do Casado, pela equipe da Unicsul) talvez reflita a necessidade de se repensar se a criação de condições locais para que os trabalhos continuem realmente é alcançada; se já no primeiro trabalho de campo se conseguisse criar certa autonomia na comunidade, não haveria necessidade de visitá-la outras vezes, podendo-se escolher outros municípios. Poderia se manter apenas um contato periódico com os multiplicadores, ou mesmo visitas periódicas dos coordenadores como forma de avaliar se a continuidade dos trabalhos tem sido uma realidade nos municípios visitados pela Unisol.

Estas, entre outras, são questões que podem ser discutidas junto à coordenação nacional e à Pró-Reitoria de Extensão e Cultura, para o amadurecimento do Programa Universidade Solidária e o desenvolvimento da extensão universitária.

 

 

BIBLIOGRAFIA DE APOIO ÀS ATIVIDADES

 

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_________. Projeto telescola - educação para a saúde: algumas informações que você precisa saber sobre saúde (caderno do aluno). Rio de Janeiro: Citybank, Fundação Roberto Marinho, 1993.88p.

BUENO, S. M. V.; GIORDANI, A. T. (orgs). II Congresso de educação preventiva em sexualidade, DST-AIDS, drogas e violência nas escolas. In: Anais. Ribeirão Preto: 2001.43p.

CAMARGO, L.  S. As hortaliças e seu cultivo. 2ed. Campinas: Fundação Cargill, 1984.

DIGA não ao desperdício. São Paulo: Secretaria de Agricultura e Abastecimento. 109p.

FAZENDA, I. C. A. (coord.) Práticas Interdiscilinares na escola. São Paulo: Cortez, 1991.

FRITZEN, S.J. Exercícios práticos de dinâmica de grupo. vol.1 e 2. 29ed. Petrópolis: Vozes, 2000.35p.

TORRES, J. G. M. Vivendo... Traipu. Traipu (AL): Edição do autor, 2000. 101p.

VILHENA, A.; D'ALMEIDA, M. L. O. (coord.). Lixo municipal: manual de gerenciamento integrado. 2ed. São Paulo: IPT/CEMPRE, 2000 (publicação IPT 2622)

 

 



[1] Professor Doutor do Departamento de Geografia da USP

[2] Coordenadoria de Extensão Comunitária e Atividades Especiais