GEOUSP – Espaço e Tempo, São Paulo, Nº 12, p. , 2002

 

 

 

 

 

A morfogênese da bacia do ribeira do iguape e os sistemas ambientais

 

 

Jurandyr Luciano Sanches Ross *

 


 

Resumo:

O relevo da bacia do rio Ribeira do Iguape, apresenta  macro-compartimentos  geomorfológicos muito distintos, que correspondem  aos morros da superfície de cimeira regional, os morros fortemente dissecados dos níveis intermediários da serra do Mar, as terras da depressão tectônica do baixo Ribeira e a planície costeira  marinha e fluvial.A gênese  das formas  desse relevo sofreram influências da tectônica pré-Cambriana, nas fases do ciclo brasiliano, com dobramentos acompanhados de metamorfismos regionais, magmatismos subjacentes  sintectônicos, complexidade de falhamentos e fraturas, fases de reativação tectônica meso-cenozoica, compartilhado com as atividades climáticas pretéritas e atuais, bem como com as oceânicas. A conjugação de  processos tectônicos e os mecânicos e químicos das águas ao longo de milhões de anos, definem as morfologias atuais do relevo e dos sistemas ambientais desta bacia.

 

Palavras Chaves:

Sistemas ambientais, morfogênese, tectônica, erosão química, relevo.

 

Resumo:

O relevo da bacia do rio Ribeira do Iguape, apresenta  macro-compartimentos  geomorfológicos muito distintos, que correspondem  aos morros da superfície de cimeira regional, os morros fortemente dissecados dos níveis intermediários da serra do Mar, as terras da depressão tectônica do baixo Ribeira e a planície costeira  marinha e fluvial.A gênese  das formas  desse relevo sofreram influências da tectônica pré-Cambriana, nas fases do ciclo brasiliano, com dobramentos acompanhados de metamorfismos regionais, magmatismos subjacentes  sintectônicos, complexidade de falhamentos e fraturas, fases de reativação tectônica meso-cenozoica, compartilhado com as atividades climáticas pretéritas e atuais, bem como com as oceânicas. A conjugação de  processos tectônicos e os mecânicos e químicos das águas ao longo de milhões de anos, definem as morfologias atuais do relevo e dos sistemas ambientais desta bacia

 

Palavras Chaves:

Sistemas ambientais, morfogênese, tectônica, erosão química, relevo.

 

 

 


Introdução

 

A análise geomorfológica da Bacia do Ribeira do Iguape, abrangendo terras dos Estados  de São Paulo e Paraná, foi desenvolvida tendo como  suporte técnico-científico o mapeamento geomorfológico a partir de imagens de radar e satélite na escala 1:250.000, bem como a utilização de cartas topográficas, geológicas e pedológicas,  com a preocupação de promover-se a análise integrada das componentes naturais,  objetivando  fornecer subsídios para definição de unidades dos sistemas ambientais e sua respectiva cartografação.

 

1-Objetivos e justificativas

 

A pesquisa geomorfológica da bacia do Ribeira do Iguape, fora desenvolvida com uma preocupação inicial de estabelecer-se um entendimento da macro-compartimentação do relevo do conjunto da bacia hidrográfica, bem como formular a interpretação da morfogênese  regional no âmbito de interesse da bacia hidrográfica.  A outra preocupação  está voltada para a aplicabilidade da pesquisa geomorfológica  no contexto da definição de  unidades de sistemas ambientais com vistas  a gestão territorial  calcada nas políticas de planejamento ambiental  e embasada  no conceito de desenvolvimento sustentável. O conhecimento integrado desta bacia, dentro de uma perspectiva do desenvolvimento econômico e social de um lado e de outro, a preocupação com  a conservação, preservação e recuperação ambiental, é  importante desafio para uma região cujas características físico-naturais e histórico-econômicas  têm se mostrado extremamente complicadas e desafiadoras no sentido de encontrar alternativas duradouras para elevar o nível de renda e qualidade de vida das populações  que habitam a área. A complexidade de problemas sociais e do relativo atraso e   estagnação econômica pelos quais passam a região,  ao lado e de certo modo em confronto com os interesses não menos importantes relacionados a preservação conservação/recuperação ambiental, faz dessa bacia hidrográfica um significativo foco de interesses múltiplos, freqüentemente conflituosos entre si, mas que podem perfeitamente serem equacionados dentro de um plano de  desenvolvimento integrado.

 

2-Pressupostos metodológicos

 

A metodologia utilizada na pesquisa geomorfológica, tomou como referencial os três níveis de investigação do relevo proposta por Ab´Saber (1969), associada ao que Ross (1992), estabelece para a cartografação pela identificação e mapeamento dos fatos geomorfológicos, seguindo os níveis taxonômicos então definidos.

Os três níveis da investigação geomorfológica de Ab´Saber (op cit) , são primeiro, a compartimentação topográfica,  segundo, o entendimento da estrutura superficial da paisagem e  terceiro, a fisiologia da paisagem. Nesta direção, o primeiro nível estabelece a divisão do relevo em compartimentos e elabora-se o mais preciso  possível a descrição das  formas do relevo; o segundo, referindo-se ao entendimento da estrutura superficial da paisagem, tem como preocupação descrever analiticamente e estabelecer correlações dos fatos observados em campo  no que se refere a relação entre os elementos das formas do relevo, a cobertura pedológica, os depósitos coluviais, aluviais, características dos elúvios  bem como da litologia e de seu arranjo estrutural, além das  correlações com a cobertura vegetal e as características climáticas atuais e elementos indicadores de paleoclimas. Neste nível, Ab´Saber (1969) define que a preocupação é o entendimento estático da estrutura  superficial da paisagem, que é decorrente de uma manifestação dinâmica da mesma ao longo do tempo geológico recente. O terceiro nível, o da fisiologia da paisagem, é  centrado na aferição da dinâmica atual, que constrói ao longo do tempo as formas do  relevo e desenvolve os tipos de solos, bem como de toda a funcionalidade da  “paisagem natural” como um todo. Na relação de dependência mútua entre as diversas componentes da natureza, a fisiologia ou funcionalidade ou dinâmica  que  atua nas  formas do relevo é sinergeticamente atuante em todas as demais componentes do estrato geográfico, em um processo de interação mútua e permanente, variando entretanto de intensidade ao longo do tempo e do  espaço físico-territorial.

O mapeamento geomorfológico, seguindo os níveis taxonômicos de Ross (1992), favorece  e completa  a aplicação da abordagem teórico-metodológica de Ab´Saber (op cit),  pois Ross (op cit) ao definir que o relevo  pode ser cartografado em seis táxons, ajuda a identificar, descrever e explicar a existência dos mais variados tamanhos e gêneses de formas. Assim sendo, define que os  seis táxons do relevo são: as morfoestruturas, as morfoesculturas, os tipos ou padrões fisionômicos das formas, as formas individualmente, os setores ou elementos das  formas ou vertentes, e por último as formas decorrentes dos processos atuais que se desenvolvem nas vertentes, que também podem ser de indução antrópica, como cortes, aterros, cicatrizes de escorregamentos, depósitos recentes, ravinas, sulcos, voçorocas entre outras.Para a análise efetuada na bacia do Ribeira do Iguape, o terceiro nível de Ab´Saber, foi tratado a partir das  observações de campo e de alguns ensaios com o penetrômetro de bolso e os táxons das dimensões menores do relevo, tais como os elementos de vertentes e as formas produzidas pelos processos atuais,  não puderam,  em função da escala,  serem cartografadas.

 

3-O Relevo e as interações: contexto geotectônico

 

O mapeamento geomorfológico sistemático da bacia do Ribeira doIguape, possibilitou identificar, a partir da análise efetuada na escala de 1:250.000,  sete unidades ou macro-compartimentos de relevo, sendo quatro em terras altas e três em terras baixas. Essas unidades foram organizadas  sob duas grandes morfoestruturas: uma denominada de Morfoestrutura  da Faixa de Dobramentos do Atlântico, onde pode-se identificar três Unidades Morfoesculturais denominados de Planalto e Serra de Paranapiacaba, Serra do Mar e Morros Litorâneos,  Planalto de Guapiara e Planalto do Alto Ribeira-Turvo. A outra unidade morfoestrutural, que envolve as terras baixas denominou-se de Unidade Morfoestrutural da Depressão Tectônica do Baixo Ribeira, onde pode-se identificar três unidades morfoesculturais, quais sejam: Depressão Tectônica do Baixo Ribeira, Planície Costeira Cananéia-Iguape e Planícies e Terraços Fluviais do Baixo Ribeira (vide mapa geomorfológico).

A faixa do denominado Cinturão Orogênico do Atlântico, onde se insere a bacia do Ribeira do Iguape, apresenta uma elevada complexidade litológica-estrutural, fruto de  longas e intensas atividades tectônicas de magnitude regional, que ocorreram  no pré-Cambriano médio e superior, com reativações tectogênicas de caráter epirogenético no Jura-Cretáceo e Cenozóico, associadas ao que Almeida (1967) denominou de reativação Wealdeniana. Gontijo (1999), apoiando-se em  Barbosa (1934), Lamego (1936), Leonardos (1940),  Ebert (1956/68/71), Almeida et alii (1973/76), Almeida (1977), Hasui et alii (1976/78),  Almeida & Hasui (1986),  Cordani et alii (1986), Schobbenhaus & Campos (1986), Brito Neves (1990), Hasui & Sadowski (1976),  IPT (1981/82), Santoro (1991), Almeida (1986), Riccomini (1989), entre outros, elabora uma síntese onde informa que  “as estruturas pré-cambrianas mais proeminentes no sudeste brasileiro são os grandes feixes de cizalhamento dúctil com direção geral ENE a NE, de movimentação dextral e E-W a NW de caráter sinistral. Estas estruturas têm  geometria sinuosa separando porções alongadas ou sigmoidais, imprimindo um padrão de blocos amendoados.Apresentam largura quilométricas, comprimentos até centenas de quilômetros e faixas expressivas de milonitos, ultramilonitos e blastomilonitos associados. Em termos de estruturas planares, destacam-se nas rochas pré-cambrianas o bandamento composicional  à xistosidade e  a foliação milonitica. Os bandamentos caracterizam-se pela alternância  de bandas máficas com félsicas quartzo-feldspáticas. A xistosidade com minerais placóides ou prismáticos e de agregados lenticulares de minerais, resultantes das condições dinâmicas associadas ao metamorfismo regional. foliação milonitica forma-se como produto do fluxo plástico lamelar imposto por cisalhamento simples ao longo das zonas cisalhantes. As estruturas lineares mais  importantes são a lineação mineral e a lineação de estiramento associadas as rochas miloniticas, que coincidem com o eixo de maior estiramento deformacional”.

Seguindo a síntese apresentada por Gontijo (1999), “o quadro estrutural pré-Cambriano foi alterado pela tectônica  meso-cenozoica, que gerou falhamentos de caráter transcorrente, normal e localmente inverso,  ao longo das principais zonas de cizalhamento  e dos planos de foliação, gerando escarpas de falhas e embaciamentos”. Algumas destas falhas delimitam bordas de bacias sedimentares cenozoicas bem como as escarpas das Serras do Mar, Mantiqueira, Paranapiacaba entre outras. “O  embasamento exposto exibe variado grau de metamorfismo e granitoides associados a eventos termo-tectônicos pré-cambrianos, os quais determinam  os traços lito-estruturais fundamentais da plataforma sul-americana”.

O sistema de falhamentos transcorrentes, normais e inversos,  caracterizam a faixa do Cinturão Orogênico do Atlântico, definem um sistema de riftes continentais da faixa sudeste brasileiro, conforme Hasui (1978), IPT (1981),  Almeida (1976), Riccomini (1989). Estas são dispostas preferencialmente na direção ENE e freqüentemente encerram  nas áreas tectonicamente  deprimidas bacias de sedimentação cenozóica (Oligoceno-Mioceno) continentais, onde sobre os sedimentos lacustres ocorrem  depósitos detríticos em forma de  leques aluviais. Ainda de acordo com Riccomini (op cit), o preenchimento dessas bacias  continentais é caracterizado por sedimentação sintectônica, com influência das falhas de suas  bordas. Nesse contexto estão as bacias sedimentares cenozoicas de São Paulo, Taubaté, Rezende, Curitiba e Baixo Ribeira, entre outras.

A área da bacia do Ribeira do Iguape, conforme descreve Vitte (1998), “ é composta de rochas pré-Cambrianas pertencentes à faixa de dobramentos Ribeira, definida por Almeida et alii (1973) ou Região de Dobramentos do Sudeste,  conforme Almeida et alii (1976), com direção  ENE-WSW paralela à linha de costa. No arcabouço geológico pré-Cambriano desta bacia,  no sentido e direção do litoral para o interior têm-se como litologias dominantes, de acordo com IPT-(1981) e MINEROPAR (1989),  do Arqueano-Proterozoico Inferior – faixas de migmatitos de estruturas variadas com intrusões de piroxênios granulitos, e granulitos quartzo-feldspáticos ocupando a faixa  serrana costeira, imediatamente na faixa  para o interior associado ao proterozoico inferior a médio, com destaque  para o Complexo Turvo-Cajati, ocorrem os micaxistos,  argilitos, metassiltitos, quartzo-xistos e migmatitos homogêneos.

Em seqüência destaca-se as rochas do proterozoico superior – Complexo Açungui e Pilar, com dominância das rochas pelíticas, onde se destacam os filitos,  metassiltitos, carbonáticas, quartzitos micáceos e feldspáticos, mármores e dolomitos calcíticos, e amplas ocorrencias de massas intrusivas de granitos sintectônicos e restrita intrusão alcalina de piroxênios nas proximidades de Cajati. Nas terras baixas Costeira prevalece os sedimentos arenosos inconsolidados de origem marinha e nas planícies interiores os depósitos  fluviais  recentes e depósitos aluviais e  colúvio-aluviais não selecionados pleistocênicos das  formações  Pariquera-açu  e Sete Barras, que sustentam  níveis mais altos de terraços e topos de algumas baixas colinas posicionadas próximo ao eixo fluvial do Ribeira.

 

4-A configuração do relevo e a morfogênese regional

 

O arranjo da macromorfologia , como a própria configuração da bacia,  constituída pelo rio Ribeira do Iguape e de certo modo complementada para norte pela bacia de seu principal afluente da margem esquerda, o rio Juquiá, definem uma elevada subordinação geológico-estrutural regional, qual seja a ENE-SSW, que é concordante com a direção brasileira  do Cinturão Orogênico do Atlântico no trecho sul-sudeste do Brasil. Esse arranjo espacial é também concordante com o recorte da faixa litorânea do Brasil nessa região, o que  impõe  admitir  a significativa influência das características geotectônicas no processo de construção do relevo desta área. O mapa geomorfológico do Estado de São Paulo, elaborado por Ross & Moroz (1997), já revelou,  sobretudo  da faixa leste ou faixada atlântica  do Estado, o quanto o arranjo litológico-estrutural e a geotectônica  interferiram e interferem na organização espacial  e gênese tanto das macroformas do relevo regional como nas formas menores que caracterizam o modelado dominante dos chamados pelo Professor Aziz Nacib Ab´Saber de “Mares de Morros do Brasil Tropical Atlântico”.

Nessa região,  onde apesar das formas de topos e vertentes serem dominantemente convexas ou como chama o renomado professor Ab´Saber, formas “mamelonares”,  frutos dos processos morfoclimáticos  tropicais úmidos atuais e de interferências paleoclimáticas de ambientes áridos á semi-áridos do passado, guardam, entretanto,  marcas dos efeitos tectônicos e influencias lito-estruturais nos arranjos espaciais de seus vales de ordens superiores, na  disposição preferencial de vertentes dos vales principais, no  alinhamento de topos  dos espigões principais, no alinhamento dos sistemas de morros, na  distribuição em rede das pequenas planícies em alvéolos, bem como das grandes depressões tectônicas pertencentes ao “sistema de rifts” juntamente com as escarpas produzidas pelas falhas normais e transcorrentes, produtos da reativação do Mesozóico Superior e Cenozóico, que de modo dominante são estruturadas concordantemente com as direções estruturais dos lineamentos regionais ENE-SSW.

As massas rochosas, quer sejam elas, produtos dos diferentes graus de metamorfismos regionais, ou mesmo do magmatismo, frutos de intrusões de massas subjacentes sintectônicas do pré-Cambriano  Médio e Superior, estão estruturalmente dispostas nessa direção preferencial e isto impõe aos processos esculturais do relevo significativas interferências. Por essa razão que, as principais  artérias fluviais como o médio e alto Ribeira do Iguape, seu principal afluente da margem esquerda o rio Juquiá,  a alta bacia do rio Tietê, a média e alta bacia do rio Paraíba do Sul, bem como  seus formadores as bacias dos rios Paraibuna e Paraitinga obedecem dominantemente a direção regional ENE-SSW. A forte dissecação que o modelado dos morros apresentam na faixa atlântica brasileira-sobretudo sudeste-sul, deve-se a um conjunto de fatores, entre os quais se destacam a densa rede de falhas e fraturas existentes herdadas das fases antigas de orogenia, posteriormente reativadas/realçadas pela tectogênese cenozóica, que além de promover o soerguimento generalizado e desigual da crosta ou  da plataforma sulamericana, colocou em ressalto topográfico significativo, o que hoje se define por escarpas da serra do Mar, Mantiqueira, Paranapiacaba entre outras. Complementando a rede de falhas e fraturas, as junções ou contatos litológicos também são importantes indutores aos processos de concentração de águas com desenvolvimento  de vales estreitos e profundos e isto é muito freqüente na região. Os planos de xistosidades/foliação-lineamentos-bandamentos por concentração de  minerais em uma mesma massa rochosa também contribuem para incisão dos vales pluvio-fluviais.  A baixa porosidade e permeabilidade das  rochas cristalinas e cristalofilianas em ambientes de clima tropical úmido induz a atuação físico-química e principalmente química das águas pluviais a penetrarem no subsolo pelas linhas de fraqueza (fraturas, falhas, juntas, lineamentos, foliação, bandeamentos), que juntamente com diferenças marcantes de gradientes topográficos entre nascentes e níveis de base locais ou regionais, contribuem para a dissecação.

A meteorização das rochas através de um contínuo e invisível processo de reação química entre as águas e os minerais constituintes, ao mesmo tempo  produz uma volumosa massa de produtos alterados  progressivamente   residuais, que são decorrentes da transformação química dos minerais primários em minerais secundários e as perdas pela erosão química/lixiviação que também contribuem para o aprofundamento dos vales, esculpe as vertentes e gera um modelado dominantemente de vertentes e topos convexos  promovendo em seu conjunto a dissecação do relevo em morros e colinas com elevada densidade de canais de drenagem, vales muito entalhados e vertentes com fortes declividades.

A bacia do Ribeira do Iguape, no seu conjunto,  enquadra-se nas condições geológico-geomorfológicas, acima descritas,  considerando  evidentemente as peculiaridades de cada área. Nesse sentido,  a evolução do relevo regional,  pode ser tomado como referencial  a superfície morfológica   definida por Maack (1953)  de Primeiro Planalto Paranaense, que Bigarella (1954), chama de  superfície  mantida por rochas cristalinas  cortadas por  um “ Paleoplano Paleozóico” ou “Peneplanície pré-devoniana”, e posteriormente como “Superfície Alto Iguaçu” ou ainda que Almeida (1964) no Estado de São Paulo, identifica como “Superfície Itaguá de idade pré-devoniana, a partir da qual, após os efeitos da epirogênia cenozóica que a colocou de posição de terras baixas para posição progressiva e lenta de terras altas,  os processos erosivos vêm ao longo dos tempos geológicos mais recentes rebaixando o relevo regional e  colocando em   ressalto as estruturas rochosas sustentadas  preferencialmente por granitos, quartzitos,  gnaisses graníticos e até mesmo calcáreos e mármores, e rebaixando o relevo nas litologias menos resistentes como os micaxistos, filitos e migmatitos fortemente bandados, falhados e altamente direcionados a ENE-SSW.

Almeida (op cit), ao caracterizar e interpretar a morfogênese do que denominou de “Planalto Cristalino Ocidental”, o mesmo que  mais tarde o IPT (1981), seguido por Ross & Moroz (1997) batizou de “Planalto de Guapiara”, ressalta que a Superfície Itaguá determina o maior teto da área desse planalto, que em sua maior extensão é sustentado por granitos porfiriticos.  Considera que as áreas mais elevadas, que configuram divisores d´água  e relevos em forma de cristas posicionadas  geralmente entre 1050 a 1150 m pertençam à Superfície  Japi   mantidas pelos granitos, quartzitos e eventualmente calcáreos e mármores na região de Apiaí e Ribeirão Branco, extendendo-se no Estado do Paraná, Bigarella (1954), já assinalava que a Superfície do Alto Iguaçu, pré-Devoniana é definidora do Primeiro Planalto Parananense,  encontrando-se, na porção norte, mais especificamente na área drenada pela alta bacia do Ribeira do Iguape, com características diferentes, pois aí  tal superfície é “ entalhada nas rochas dobradas da Série Açungui (filitos, quartzitos, calcáreos e dolomitos) e nos granitos intrusivos” , continuando mais a frente, descreve que “faixas de quartzitos  e rochas calcáreas mais resistentes à erosão, elevam-se do Primeiro Planalto como cabeços de estratos, constituindo longas cadeias de elevações íngremes.Merecem especial referência as linhas de serras constituídas por quartzitos, rocha mais resistente ao intemperismo e desagregação mecânica.Entre elas temos  a serra de Ouro Fino (1025 a 1150 m) e Bocaina (1200 a 1300 m)”.

Contribuição significativa também é fornecida por Maack (1961), quando escreve que “ do fim do cretáceo até o terciário, os núcleos graníticos sinorogênicos (sintectônicos) fragmentados por falhas através das tensões causadas pela orogênese andina”. O que se extrai conclusivamente a respeito das contribuições de Almeida (op cit), Maack (op cit) e Bigarella (op cit), é que as terras mais altas da bacia do Ribeira de Iguape estão niveladas por uma extensa superfície morfológica pré-devoniana, cujos topos nivelam-se entre 850-950 metros, com relevo extremamente dissecado em forma de morros com vales muito entalhados e vertentes muito inclinadas, e que estão esculpidas nas rochas dominantemente dos tipos filitos, micaxistos, calcáreos, dolomitos, granitos, quartzitos, gnaisses graníticos e emergem deste nível de cimeira serras residuais sustentadas por granitos, quartzitos  ou até mesmo por cálcareos mais resistentes à erosão,  cujos topos  se encontram preferencialmente entre 1050 a 1150m, onde se destaca a serra de Paranapiacaba em São Paulo e Bocaina e Ouro Fino no Paraná. A partir dessa superfície de cimeira regional, a bacia do Ribeira  perde altitude progressivamente na direção de sua foz, sempre definindo relevos muito dissecados  em forma de morros íngremes esculpidos em rochas metassedimentares menos resistentes  aos processos de desgaste físico-químicos da água, com destaque para os filitos, micaxistos e calcáreos, e deixando como terrenos mais elevados os quartzitos, granitos, gnaisses graníticos e eventualmente calcáreos e mármores mais resistentes.

A esse respeito, assim escreve Almeida (1964), “... na subzona da Serra de Paranapiacaba, se manifesta a participação da estrutura geológica na configuração da rede de drenagem e das formas topográficas. As principais serras, nos maiores divisores de água, são suportadas por granitos ou gnaisses graníticos.Tais são por exemplo, as do Bananal, da Prainha e Itatins, esta alcançando cerca de 1300m., a maior parte do frontão  escarpado da serra de Paranapiacaba é de constituição granítica. Quartziticas são algumas cristas salientes, onde também calcáreos sustentam relevos altos, ...granítico em grande parte, é o divisor de águas dos rios Juqueri-guaçu e São Lourenço, a montante de Miracatu, bem como diversas serras elevadas na alta bacia do rio Jacupiranga”.  Continua  a descrição afirmando, “naturalmente, cabe às áreas de filitos e xistos configurarem relevos baixos e abrigarem os principais rios subseqüentes”. Dando continuidade a interpretação  morfogenética  da região sul-sudeste do  estado de São Paulo, Almeida (op cit)  manifesta  que “as principais escarpas da serra do Mar e Paranapiacaba, acham-se em sua maioria estabelecidas em rochas  resistentes, sejam granitos ou gnaisses graníticos, enquanto que os vales subseqüentes se vem abrindo por erosão remontante, nas  faixas de rochas menos resistentes à erosão”. Mais a frente afirma “....da região santista para SW, ainda mais se diversificam os aspectos da serra do Mar, sempre em conseqüência das imposições litológicas aos processos erosivos”. “....A faixa de gnaisses porfiroblásticos com granitos associados, continua-se até o rio Ribeira, por trás dela, dispondo-se importante faixa de rochas xistosas do Grupo São Roque.Em tais condições, por simples erosão diferencial a partir do rio Ribeira, estabeleceu-se importante drenagem subseqüente, tributária do rio Juquiá”. “....a serrania do Itatins e suas extensões para oeste, as serras do Bananal, Pouso Alto e das Onças mantêm-se devido à constituição quase inteiramente gnáissica, com granitos locais, rodeadas como o são, a norte e oeste, por áreas de xisto menos resistentes da série São Roque”.

Na divisa de São Paulo-Paraná, “...ressurge como frontão granito-gnaissico voltado para o oceano”. Ab´Saber (1972),  ao tratar dos efeitos tectônicos e paleoclimáticos na definição da compartimentação do relevo brasileiro, manifesta-se “...queremos nos referir à presença de áreas tectônicas como zonas ou faixas preferenciais para formação de depressões intermontanas aplainadas, na realidade, enquanto os pediplanos tiveram maiores possibilidades de se estender no interior das depressões periféricas subseqüentes, os pedimentos caminhavam sobretudo nas faixas de litologias menos resistentes e nas faixas sujeitas a diaclasamento muito densos, em zonas de tipo intermontanos...”, mais adiante,  afirma “...a própria bacia do baixo Ribeira, na zona sublitorânea sul de São Paulo, constitui um caso significativo de uma penetração em forma de embaiamento da pediplanação, por entre os longos festões apalacheanos das serras regionais”. Nesta concepção morfogenética elaborada por Ab´Saber (op cit) é fundamental entender-se  sua afirmação que “ ....temos sérias razões para pensar que as fases máximas de erosão de talvegue, com repronunciamento das secções transversais dos vales subsequentes e conseqüentes, tenham sido as de transição dos climas mais secos para os mais úmidos, enquanto que as  fases máximas de pedimentação ou mesmo de pediplanação, ter-se-iam efetuado na transição dos climas úmidos para os secos ou semi-áridos moderados”. Silveira (1952), já colocava como importante, além do efeito da erosão regressiva e diferencial na elaboração do relevo da bacia do Ribeira de Iguape, os sinais da tectogênese ao dizer “...seguindo diversos cortes na serra de Pananapiacaba e tomando em consideração apenas elementos geomórficos, nos sugeriram a hipótese de falhas escalonadas nessa serra e alinhadas grosseiramente de sul-norte”, continua nessa direção e afirma “...o maciço de Itatins.estudado com auxilio de fotografias aéreas e observado em todo seu redor, em vôo baixo, causa-nos a impressão de bloco alçado por falha”.

Entretanto, a enfase morfogenética apresentada  por Silveira (op cit), está  muito mais para o modelo evolutivo Davisiano, que interpreta a  “Baixada do Ribeira” como um  “peneplano” e portanto fruto de erosão normal (fluvial) combinada com variações do nível do mar causadas pelos soerguimentos e abaixamentos da plataforma continental, sobretudo no pleistoceno, como se pode perceber pelo que se transcreve a seguir: “....em situação de plataforma marinha realizando-se esculturação na região interior da baixada, houve deposição de cascalho no fundo dos rios, que sofrendo levantamentos da ordem de 25 a 30 metros de altitude, inviabilizaram o surgimento dos primeiros terraços marinhos...”,  “...posteriormente a costa sofreu novo levantamento, com níveis de terraços marinhos e fluviais já existentes sendo soerguidos. Os vales são novamente entalhados no interior, esculturando-se novos terraços...” e conclui “...o abaixamento da costa em pequena amplitude levou o afogamento dos vales e criação de pântanos e aluviamento generalizado ...”, e finaliza considerando que é a partir desse afogamento que se desenvolvem as planícies e restingas marinhas atuais.

Para Bigarella, Mousinho & Silva (1965), no vale do Ribeira “...ocorreu uma superfície de aplainamento, designada de Pd1, cujo depósito correlativo seria a Formação Pariquera-Açu  plio-pleistocênica, com remanescentes encontrados nos morrotes nivelados em 100 metros de altitude...” .Essa esculturação esteve relacionada com “...mudanças climáticas que condicionaram a alternância de processos de degradação lateral e de erosão linear, os quais foram de grande importância  à gênese dos sedimentos da Formação Pariquera-Açu”. Assim sendo, do mesmo modo que Ab`Saber (op cit), Bigarella, Mousinho & Silva (1965), consideram que a bacia do Ribeira do Iguape e sobretudo o Baixo Ribeira,  o relevo  é produto sobretudo das alternâncias de climas secos (morfogênese mecânica) com climas úmidos (alteração química e transporte fluvial). Cabe,  entretanto ressaltar que tanto Ab´Saber &  Bigarella (1964), como  Bigarella & Andrade (1965) consideram que os eventos  seco x  úmido tenham ocorrido sobretudo no pleistoceno, muito embora Ab´Saber (1972), preferira datá-los no Neogeno ou seja  a partir do Mioceno e estendendo-se no Plioceno e Pleistoceno, ou seja no Terciário Superior e Quaternário.

Diante dos fatos, até então expostos, considerando-se importante o papel do arranjo estrutural da litologia regional e as diferenças de resistência ao desgaste das rochas da bacia do Ribeira, o fator tectônico também merece destaque, sobretudo no que se refere as diferenças altimétricas estabelecidas entre as terras baixas da bacia do Ribeira de Iguape  e as terras altas de seu entorno. Nessa direção, Lima, Melo & Coimbra (1991), assim se  manifestam a respeito dos sedimentos cenozóicos, “...a ocorrência de áreas descontínuas preenchidas por sedimentos continentais e costeiros cenozóicos é uma feição marcante na geologia da parte leste do Estado de São Paulo. Os fatores associados à gênese de tais acumulações são na verdade mais abrangentes, já que afetaram  toda a região sudeste e parte da região sul do país”. Continua mais adiante e afirmam  “...o principal fator associado à sedimentação é sem dúvida tectônica... Apresentam forma de grabens e semigrabens com preenchimento de sedimentos continentais...”, especificamente referindo-se ao baixo Ribeira relatam que “o caso das formações Sete Barras (paleogena) e Pariquera-açu (neogena) e depósitos relacionados, no baixo vale do Ribeira do Iguape apresenta como principal  fator associado fases de tectônica rúptil terciária”. Quanto as planícies litorâneas assim se manifestam  que “o principal fator associado “a sedimentação refere-se às variações glácio-eustáticas quaternárias. Os depósitos são representados pela Formação Cananéia (Pleistoceno) e cordões litorâneos mais jovens”.

Tomando-se as considerações até então expostas, e seguindo também as interpretações de Ross & Moroz (1997), quando da elaboração do mapa geomorfológico do Estado de São Paulo,  a região do baixo Ribeira constitui-se geneticamente relacionada aos processos tectogenéticos cenozóicos que, ao mesmo tempo que originaram degraus da serra do Mar e Paranapiacaba, produziram depressões tectônicas fechadas  ou não, que receberam sedimentos continentais de transporte fluvial com fases de torrencialidade alternadas com fases mais equilibradas associadas ou não com alternâncias de climas secos e úmidos. O  que nos parece claro, é que os depósitos da Formação Pariquera-Açu, que se manifestam em forma de cascalhos heterométricos e dominantemente representados por quartzitos e quartzos, aparecem  recobrindo parcialmente alguns  topos e vertentes de colinas baixas sem definir estratos contínuos, pois freqüentemente aparecem associados a detritos finos e médios descontínuos e aparentemente definindo o que têm-se considerado depósitos aloestratigráficos.

Por outro lado, também não se pode confundir tais depósitos continentais, com o que freqüentemente ocorre nos topos e vertentes de praticamente todas as colinas do baixo Ribeira, onde observa-se expessos mantos de alteração dos migmatitos e micaxistos com abundância em veios de quartzo que ao sofrerem pedogênese desenvolvem em perfil camadas de seixos angulosos envoltos em massa de solos argilosos ou argilo-siltosos. O material fino, tanto quanto o grosseiro quartzoso, sofrem ao longo do tempo em ambiente tropical úmido, migração lateral e vertical por gravidade e por diferença de constituição mineralógica, onde se incluem diferenças de densidade, peso  específico, plasticidade, coesão e atrito, que progressivamente separam-se concentrando os seixos angulosos de quartzo em camadas descontínuas, que acompanham em subsuperfície a morfologia e topografia da silueta externa de cada uma das colinas. Assim sendo, sobre grande parte das colinas da Depressão Tectônica do Baixo Ribeira, o que se observa em perfil  nos cortes de estradas, são materiais de alteração produzidos por atividades físico-química da água e os processos naturais de rastejo que possibilitam o desenvolvimento nas vertentes de materiais elúvio-coluvionares recentes.

Estas coberturas pedológicas elúvio-coluvionares, são ricas de cascalhos quartzosos angulosos que se manifestam em forma de camadas (linhas de pedras) irregulares e descontínuas que acompanham em subsuperfície a morfologia convexa das colinas. Esse material não pode portanto ser confundido com os depósitos fluviais também irregulares, descontínuos e heterométricos, mas com seixos rolados, que recobrem parcialmente as colinas e que são identificados por Formação Pariquera-Açu, e que  não nos parece ter tanta expressividade regional como se considerava anteriormente.

O mais recente trabalho de pesquisa desenvolvido no baixo Ribeira, no município de Juquiá, por Vitte (1998), onde procurou entender a evolução morfogenética, promovendo  intensa análise entre as  litoestruturas, tectônica, formas de relevo-solo, chegando à análise de micromorfologia de solos.   O pesquisador pode concluir que a origem e evolução do relevo é fruto de longos processos que envolvem tanto as atividades tectônicas com efeitos antigos e recentes, influências estruturais e mineralógicas das rochas bem como os efeitos paleoclimáticos  de climas secos alternados por úmidos, bem como da pedogênese atual. Essa evolução complexa, ao longo do tempo e no espaço, é conhecida por etchplanação, e Vitte (op cit), considera a partir de sua pesquisa, que o baixo Ribeira, com a complexidade de sua evolução, pode ser entendida através da  “ etchplanação que tem controle do clima e da tectônica em um determinado tempo, uma vez, que comandam o aprofundamento do front de intemperismo, com perda gradual de finos e solutos nos horizontes superficiais”. Coloca em destaque que “ ...o aprofundamento do front de alteração intensifica-se nas áreas falhadas e naquelas que apresentam fraturas, sendo que nestas últimas o padrão de fraturas define a existência de uma zona de matacões em subsuperfície, enquanto que nos horizontes superficiais a intensa ação da matéria orgânica, associada a macroporosidade, viabiliza de um lado a oxidação do ferro, enquanto permite a atuação do lençol subsuperficial suspenso, que conjugados permitem a lessivagem dos óxidos  e oxihidróxidos de ferro e alumínio, em direção tanto do front de alteração, quanto lateralmente. Criam com isto condições para o desenvolvimento de horizontes superficiais ricos em esqueleto quartzoso”. Mais adiante conclui, “...neste processo de etchplanação dinâmica insere-se o papel dos veios de quartzo, pois a medida que ocorre a pedogenização da aloalterita com a transformação das micas e feldspatos, os oxihidróxidos de ferro e alumínio promovem o aumento do pH e a conseqüente dissolução de veios de quartzo e paulatinamente de seus indivíduos, preparando-os para o processo de planação em que constituirão cascalheiras conjuntamente com os materiais formarão perfis complexos”.

A contribuição de Vitte (1998) sobre os processos morfogenéticos do baixo Ribeira, vem ao encontro com o que Ross (1987, 1991)) conclui  analisando a evolução do relevo da Província Serrana de Mato Grosso. Nesta área,  pode-se perceber que as variações altimétricas e as configurações morfológicas estão associadas a uma complexidade de processos  que envolvem a tectônica pré-Cambriana, a reativação tectônica do meso-cenozóico, os arranjos lito-estruturais dos estratos sedimentares, antigos níveis de superfícies de erosão desmanteladas pelas atividades tectônicas, antigas superfícies de erosão exumadas pelos processos erosivos Cenozóicos.

Além disto, constatou-se que a existência de  vários níveis morfológicos/topográficos são decorrentes de processos esculturais associados não só as fases secas de paleoclimas, mas sobretudo da influência da atividade química das águas promovendo reações e desgastes desiguais entre as diferentes litologias, que na área têm destaque os arenitos, calcáreos, dolomitos, arcósios, folhelhos, e argilitos. No processo de construção do Mapa Geomorfológico do Estado de São Paulo, Ross & Moroz (1997), e posteriormente Ross (1998), aprofundando o trabalho analítico sobre o assunto, puderam estabelecer algumas considerações  que também vão ao encontro dessa concepção anteriormente identificada. A constatação por Ross & Moroz (op cit) e Ross (op cit) de que os diferentes níveis orfológicos/topográficos encontrados nos planaltos do leste paulista estão relacionados a uma complexidade de processos morfogenéticos que se manifestam no espaço e no tempo e que envolvem atividades tectônicas de diferentes tempos e gêneses, como dobramentos, metamorfismos, magmatismos, falhamentos antigos, reativação  de falhas  no Cenozóico, juntamente com evidências de antigas superfícies de erosão, como no topo da Serra do Japi em que a massa quartzitica está nivelada/aplanada em discordância com os planos de bandamento e mergulho dos pseudo-estratos.

Despertou atenção, entretanto, os diferentes níveis morfológicos/topográficos  que se observam entre  as estruturas rochosas representadas pelas massas de granitos como os das Serras do Itapeti, Cantareira, Itaqui, São Francisco, São Roque, Paranapiacaba e vários outras,   que estão  com  seus topos em níveis altimétricos entre 850, 900 a 1000 metros, ao lado dos relevos  esculpidos nas massas rochosas de quartzito, como  Pico do Jaraguá, Serra do Japi, Serra de Voturuna, cujos topos encontram-se entre 1100 e 1200 metros. Ao redor desses relevos proeminentes, encontra-se uma vasta superfície  cujo topos  se nivelam  ao redor dos 800m de altitude que estão preferencialmente esculpidos em rochas metamórficas  sobretudo migmatitos e gnaisses entremeados por extensas faixas de micaxistos e filitos que por sua vez freqüentemente estão em posições topograficamente mais rebaixadas.

Estes fatos levaram Ross (1998) a considerar para os  planaltos da faixa atlântica  do Estado de São Paulo, que:

-“a evolução do relevo da região, tem  nos processos tectônicos Cenozóicos, importante papel como desencadeador de vigorosos processos esculturais, tanto nas escarpas das Serras do Mar e Mantiqueira, quanto nas superfícies de topos dos planaltos, ....”;

-“esses processos esculturais já se faziam presentes no pré-Cenozoico e criaram significativas diferenças altimétricas em função das variações litológicas e de arranjos estruturais destas, não sendo obrigatoriamente superfícies de erosão distintas, e sim rebaixamentos desiguais de superfícies do terreno”.

-“os depósitos Cenozóicos de finos (argilas) sendo relativamente pouco expressivos em extensão e volume frente a extensividade das áreas com relevos fortemente dissecados, sugere predominância de processos de desgaste (erosão e transporte) por dissolução química dos minerais primários, depositando-se ou permanecendo in situ  apenas os “resíduos” dos processos químicos e dos mecânicos”.

-“a presença de relevos mais elevados sustentados por rochas ígneas  maciças (granitos) e rochas metamórficas (quartzitos) circundados por relevos mais baixos esculpidos em rochas metamórficas com maior densidade de linhas de fraqueza, também sugerem a prevalescência de processos químicos de erosão e transporte, sobre os mecânicos.

Considera-se que o processo de meteorização das rochas/minerais primários e a transformação em minerais secundários, que  compõem  a cobertura pedológica e os depósitos Cenozóicos é um significativo processo escultural, onde os minerais dissolvidos são transportados para as águas oceânicas, restando sobre os continentes os resíduos arenosos de quartzo e mais restritos depósitos de finos (argila,silte)”.

Assim sendo, ainda que  se tenha  parcos testemunhos de que nos tempos passados houveram climas mais secos que contribuíram para os processos esculturais do relevo regional,  são as atividades químicas dos ambientes  úmidos  e preferencialmente  quentes, que estabelecem de um lado a marca definitiva nos processos morfoesculturais das formas de relevo em serras,  morros e colinas e de outro os processos morfotectônicos e arranjos morfoestruturais juntamente com as diferenças de resistências aos desgastes das diferentes famílias de rochas, que estabelecem os parâmetros para entendimento da morfogênese regional, inclusive da bacia do Ribeira do Iguape.

A Planície Marinha, que se encontra na faixa costeira da bacia do Ribeira de Iguape e,   que corresponde a uma das Unidades Geomorfológicas  da bacia,   identificada e mapeada  como Planície Costeira Cananéia-Iguape, desenvolveu-se a partir das variações dos níveis marinhos nos últimos 120 mil anos através das transgressões e regressões marinhas, amplamente estudadas e divulgadas por  Suguio & Martin (1976),  Martin & Suguio (1978a), Suguio & Tessler (1984). Neste sentido, Suguio & Tessler  (op cit), consideram que são quatro os fatores principais na formação das planícies costeiras no Brasil, quais  sejam:-fontes de areias; correntes de deriva litorâneas; armadilhas para retenção de sedimentos; e as variações dos níveis  do mar. Tendo  esses elementos como fatores de formação, Suguio & Tessler (1992), apresentam no volume Roteiros das Excursões do 37º Congresso Brasileiro de Geologia, sobre os Depósitos Quaternários da Planície Costeira de Cananéia-Iguape (SP), o modelo evolutivo da formação desta unidade de relevo, assim estabelecendo:

“ Primeiro estádio - durante o máximo da Transgressão Cananéia (120.000 anos  AP.), o mar deve ter atingido o sopé da serra do Mar, quando foram depositadas  as argilas transicionais e marinhas da Formação Cananéia, recobrindo a Formação Pariquera-Açu;

Segundo estádio - com o advento da fase regressiva, depósitos de cristas praiais foram sedimentados no topo dos depósitos arenosos da Formação Cananéia;

Terceiro estádio - durante esta fase o nível marinho esteve  mais baixo do que hoje (110m abaixo do nível atual acerca de 18.000 anos AP), quando os rios que drenavam a planície costeira devem ter erodido profundamente os depósitos da Formação Cananéia;

Quarto estádio - no início do último evento transgressivo o nível do mar subiu rapidamente, tendo ultrapassado o nível atual entre 6000 e 7000 anos AP.

Deste modo o mar invadiu as áreas rebaixadas pela erosão, formando um extenso terreno plano”. Certamente, é em função dessas duas últimas fases erosiva  seguida da transgressiva Santos que,  conforme assinala Ross & Moroz (1997), “a drenagem, nesta unidade de relevo apresenta um padrão dendritico e tendo setores retilíneos indicando a forte influência de direções de fraturamentos importantes.A rede de drenagem em grande parte ocorre sobre planícies fluviais de fundos planos, demonstrando que se tratam de vales fluviais afogados”.

As Planícies Fluviais do Baixo Ribeira são articuladas morfológica e geneticamente com a Planície Costeira,  e ambas estão fortemente relacionadas com a gênese da Depressão Tectônica do Ribeira. Essa planície é caracterizada por uma densa ramificação de planícies fluviais que apresentam diferenciação significativa entre os trechos a montante de Registro, no rio Ribeira, e nas bacias dos rios Juquiá e Jacupiranga.Enquanto nos trechos mais à montante da cidade de Registro prevalecem planícies e terraços mais estreitos, constituídos por depósitos preferencialmente argilo-arenosos e cascalhos, prevalecendo o  canal principal do rio mais entalhado e com perfil

longitudinal com declividade pouco mais acentuada.

Nos trechos à jusante, as planícies são mais largas, originadas principalmente a partir de vales afogados pela sedimentação marinha, com muito baixo gradiente  topográfico, onde as águas encontram grande dificuldade em serem drenadas para o mar. Nesse trecho inferior do rio Ribeira do Iguape, prevalece uma grande sinuosidade em forma de meandros divagantes e  o tempo de permanência  das águas de inundações são de maior duração. Nesse  setor, as planícies são mais arenosas e mais úmidas apresentando lençol freático muito próximo à superfície e freqüentemente aflorando na mesma e formando extensos brejos e pântanos.

 

5-Unidades dos sistemas ambientais da bacia do Ribeira do Iguape-

 

As Unidades dos Sistemas Ambientais, receberam denominações geomorfológicas, sobretudo em função da extrema significância  da macro compartimentação do relevo na região. Entretanto, também foi muito importante  a análise e mapeamento do Uso da Terra  na Bacia Hidrográfica, além é claro de outras variáveis como existência de Unidades de Conservação, aspectos sócio-econômicos e comportamento hidroclimático.Assim sendo, as unidades que foram identificadas e definidas para a bacia, na escala 1:250.000, são

I-Sistema da Planície Costeira Cananéia-Iguape (Zonas de Unidades de Conservação);

II-Sistema das Planícies e Terraços Fluviais do Ribeira;III-Sistema de Colinas e Morrotes da Depressão Tectônica do Baixo Ribeira;

IV-Sistema de Morros e Escarpas das Serras do Mar e Paranapiacaba (Zonas de Unidade de Conservação);

V- Sistema de Morros e Superfícies de Cimeira dos Planaltos do Alto Ribeira.

Dentre as cinco grandes unidades dos Sistemas Ambientais identificadas, algumas são muito antropizadas e outras encontram-se em melhor estado de conservação ambiental. As Unidades identificadas receberam as seguintes denominações, que podem ser acompanhadas pelo Mapa das Unidades dos Sistemas Ambientais da Bacia do Ribeira do Iguape:

 

I-Sistema da planície costeira Cananéia-Iguape.

 

Esta unidade se diferencia das demais não só pelas suas características físico-naturais, mas sobretudo em função de sua morfogênese e  dos aspectos da biodiversidade. Faz parte de uma importante região estuarina de grande complexidade biofísica, onde ocorrem os ecossistemas de mangues ao lado das planícies e cordões arenosos marinhos, recortados por planícies fluviais cujos sedimentos marinhos são retrabalhados pelos rios e acrescidos de outros sedimentos procedentes do interior do continente. Recobre os terrenos arenosos aí depositados pelas fases de transgressão/regressão marinha (transgressões Cananéia e Santos) uma densa cobertura vegetal de Mata de porte médio, em grande parte preservada, acompanhada de franjas de vegetação de Mangue que ocupam as planícies intertidais (planícies de Mangue). Desenvolvem-se nesses terrenos planos e arenosos solos preferencialmente da família dos hidromórficos, uma vez que os sedimentos arenosos inconsolidados armazenam grande volume d’água, resultando em lençol freático extremamente raso.  Assim, prevalecem solos do tipo Podzol Hidromórfico de textura arenosa, Solos Orgânicos tiomórficos, sobretudo nas áreas interiores da planície costeira, onde também são encontradas turfeiras.

No aspecto climático, um ambiente quente e úmido, onde as temperaturas  médias das máximas registradas variam  entre 22  a 29 graus  e as médias das mínimas oscilam entre 15 e 22 graus. As chuvas são abundantes e freqüentes, ocorrendo variação de 1500 mm/a nos anos menos chuvosos a 3500 mm/a nos anos mais chuvosos, sendo os meses de junho, julho e agosto os meses menos  chuvosos. Essa unidade é a que se encontra mais preservada  do litoral paulista, embora haja relativa concentração demográfica em áreas pontuais como Iguape e Cananéia e faixas lineares de ocupação na Ilha Comprida na linha de costa das praias abertas para o oceano. Além das ocupações vinculadas a uma urbanização recente de veraneio e segunda residência, estendem-se pelas margens dos canais de Cananéia e ilha comprida vilas de populações tradicionais ribeirinhas, que se dedicam sobretudo  às atividades da pesca.

Por se tratar de unidade de grande fragilidade natural aos  processos de ocupação urbana, dadas as características de relevo plano, solos arenosos e inconsolidados, lençol freático próximo à superfície, ser rica em biodiversidade e berçário para reprodução de inúmeras espécies animais, a área está praticamente toda delimitada por Unidades de Conservação Ambiental e sob olhar vigilante dos órgãos gestores ambientais federal e estadual. É, portanto, uma unidade ambiental de absoluto interesse  à preservação e conservação ambiental.

 

II-Sistema das planícies e terraços fluviais do Ribeira do Iguape.

 

Essa unidade envolve os terrenos planos que margeiam os cursos fluviais no Baixo Ribeira ou na região da Depressão Tectônica do Ribeira. É caracterizada por uma densa ramificação de planícies fluviais que apresenta diferenciação significativa entre os trechos à montante de Registro, no rio Ribeira, e nas bacias dos rios  Juquiá e Jacupiranga. Nestas áreas, embora as  planícies passem por intensas e freqüentes inundações nos picos das chuvas, o tempo de permanência da água é menor do que nos trechos mais à jusante, onde as inundações, também freqüentes, mantêm as planícies por um tempo muito maior sob as águas.

Este fato está relacionado às diferenças genéticas e de materiais que compõem essas planícies. Enquanto nos trechos mais à montante prevalecem planícies e terraços mais estreitos e com o canal principal do rio mais entalhado e com perfil longitudinal de declividade pouco mais acentuada, nos  trechos à jusante, as planícies  são mais largas, originadas predominantemente a partir de vales afogados pela sedimentação marinha, com  muito baixo gradiente topográfico e, conseqüentemente, as águas encontram maiores dificuldades para escoar na direção do mar. Em função disto, tendem a espalhar-se pelas margens baixas e planas, onde ao mesmo tempo que depositam novos sedimentos transportados do interior do continente, remanejam sedimentos marinhos anteriormente depositados.

As planícies nesses trechos mais de jusante são mais arenosas e com lençol freático muito próximo à superfície dificultando as atividades econômicas, sobretudo a agricultura da banana. Já mais à montante, os sedimentos são mais argilosos , com o lençol freático pouco mais profundo, os solos  melhor drenados,  facilitando as atividades  agrícolas, e por isso são áreas quase totalmente ocupadas com bananais.

Assim, os solos das  planícies mais a jusante são preferencialmente do tipo hidromórficos orgânicos, destacando-se os Gleys Tiomórficos e Orgânicos Tiomórficos, enquanto nos trechos mais à montante prevalecem solos aluviais argilosos  destacando-se sobretudo os Cambissolos eutróficos. Sendo uma unidade com características morfogenéticas diferenciadas, também observam-se diferenças significativas na cobertura vegetal natural, pois enquanto nas áreas mais à jusante prevalece vegetação hidrófila  associada a formações pioneiras herbáceas e trechos mais enxutos com mata galeria, hoje convertidas em pastagens, nos trechos à montante prevaleciam as matas galerias quase totalmente substituídas por extensas plantações de banana.

Embora toda extensão das planícies fluviais seja área extremamente vulnerável aos processos de erosão/deposição, dados os episódios freqüentes de inundações catastróficas, os trechos à jusante são mais problemáticos que aqueles à montante, dada a extensão e tempo de permanência das águas de inundações.

As cidades de Registro, Eldorado e Sete Barras estão locadas total ou parcialmente na Planície Fluvial no  trecho de montante, onde o tempo  das inundações são menores, mas os problemas são de grande gravidade quando estas ocorrem. Além dos prejuízos materiais que as inundações causam aos agricultores, com perdas totais ou parciais de suas produções, nas cidades, o prejuízo material se soma aos grandes danos à saúde, sobretudo das populações mais carentes que residem em habitações precárias e áreas de risco. Apesar do erro de origem, com implantação de cidades tão à beira-rio, cujas planícies são periodicamente inundáveis, é quase impossível promover-se a reurbanização, com relocação das populações periodicamente atingidas, devido ao elevado custo econômico e social. Diante disto, essas áreas das planícies somente poderão sofrer menores impactos das inundações com intervenção no sistema de regularização  da vazão fluvial, atenuando os picos de cheias.

 

III-Unidade do sistema de colinas e morrotes da depressão tectônica do Baixo Ribeira.

 

Compreende baixas colinas de topos convexos e vertentes curtas, com inclinações médias oscilando entre 10 e 20% e altitudes em relação ao nível do mar entre 30 e 50m, do tipo Dc14, Dc15. Estas formas colinosas, desenvolvem-se sobre rochas de baixo metamorfismo, sobretudo micaxistos e filitos. Esculpe-se sobre as mesmas  cobertura pedológica síltico-argilosa espessa acompanhada de  camadas descontínuas e de espessura variada composta por  seixos angulosos e heterométricos de quartzo, constituindo as chamadas linhas de pedra. Esse material recobre continuamente as superfícies das colinas e acompanha a morfologia convexa das mesmas. Trata-se, portanto, de material eluvial e coluvial  derivado diretamente da pedogênese dos micaxistos subjacentes.

Testes com penetrômetro de bolso no horizonte B (argiloso) demonstraram que se trata de material bastante coeso e que oferece razoável resistência à penetração, atingindo valores entre 3.0 a 4.0 Kgf/cm2, para uma escala que  varia de 0 a 4.5 no equipamento utilizado. Nos cortes com perfil de solo exibindo o horizonte C, aplicaram-se os testes com o penetrômetro,  obtendo-se resultados que oscilaram entre 2.0 e 3.0 Kgf/cm2, demonstrando que este horizonte, decorrente da alteração de rochas de baixo metamorfismo como os filitos e principalmente micaxistos são muito siltosos com  menor coesão entre as partículas, oferecendo menor resistência à penetração. São, portanto, mais frágeis aos processos erosivos quando expostos em superfície por serviços de cortes, aterros e terraplenagens.

Nos setores das bordas da unidade estão presentes morros pequenos (morrotes) com altitudes acima de 100-150m, vertentes pouco mais longas e mais inclinadas, geralmente entre 20 e 40% e esculpidos sobre rochas de maior grau de metamorfismo, geralmente migmatitos e gnaisses. Enquanto sobre as colinas os solos que se desenvolvem correspondem aos Podzólicos Vermelho-amarelos álicos de textura argilosa a muito argilosa, sobre os morrotes  prevalecem  os solos mais rasos do tipo Cambissolos álicos associados com Latossolos e Podzólicos, também com texturas argilosas. Tanto nas colinas como nos morrotes os solos apresentam concentração de cascalhos (seixos de quartzo) geralmente aparecendo nos limites entre os horizontes B e C.

Nesta unidade as condições climáticas também são quentes e úmidas, com temperaturas médias das máximas variando entre 24 e 32 graus e as temperaturas médias das mínimas oscilando entre 14 e 21 graus. Ao longo dos anos mais chuvosos ocorrem até 2500mm/a e nos menos chuvosos os valores oscilam ao redor de 1200 mm/a, registrando-se como meses menos chuvosos junho e julho. A cobertura vegetal natural, que ainda pode ser encontrada  em bosques residuais de reservas privadas, é a Floresta Tropical Atlântica. Há muitas áreas com vegetação em processo de auto-regeneração, aparecendo capoeiras e matas secundárias em bosques descontínuos. Entretanto, a unidade está praticamente ocupada com atividades da agropecuária, destacando-se primeiramente o cultivo da banana nanica, secundariamente o chá e a pecuária extensiva de cria e leite. A fragilidade natural  aos processos erosivos  e movimentos naturais de terra é baixa, podendo ocorrer desestabilização de perfis de solo quando estes atingem o horizonte C mais siltoso.

 

IV-Unidade sistema de morros e escarpas das serras do mar e Paranapiacaba (Zonas de Unidades de Conservação).

 

A área que compreende esta unidade, à semelhança da Unidade I, encontra-se bastante preservada das influências antrópicas, apesar da pressão dos avanços da ocupação humana  tanto da região da alta bacia do Ribeira, como da parte baixa. Essa unidade estende-se pela faixa montanhosa das Serras do Mar, Paranapiacaba e pelo médio vale do rio Ribeira de Iguape, abrangendo terras principalmente do Estado de São Paulo ao longo dos médios e altos cursos dos tributários do Ribeira de Iguape, como  bacias dos rios Juquiá, Turvo, Jacupiranga, Pilões, Betari entre inúmeros outros de menor porte.

Incluem-se, nesta unidade, pequenos trechos do Estado do Paraná, nas áreas que envolvem as terras montanhosas da bacia do rio Turvo, sobretudo parte do município de Adrianópolis. Como a própria denominação já indica, a unidade é representada por um vigoroso relevo montanhoso e escarpado, onde os morros apresentam vertentes longas, muito inclinadas, com vales profundos e relativamente  estreitos.

Os níveis altimétricos variam nas partes baixas nos contatos com a Depressão Tectônica do Baixo Ribeira, em torno dos 100-200 m, mas atinge até 1000-1100 m nos setores mais altos, principalmente da Serra de Paranapiacaba, prevalecendo nos setores elevados, altitudes entre 700-900m. O mapa geomorfológico do Estado de São Paulo assinala para essa unidade padrões de formas de relevo fortemente dissecadas, do tipo Da54, Da34, Da44, Da33, Da24, Dc33, Dc34, o que indica vales muito entalhados, geralmente acima de 80m, mas podendo ultrapassar os 160m, e vertentes com inclinações medidas em campo entre 40- 60%, mas  com setores que chegam a 70-80%.

A unidade apresenta grande diversidade litológica e com significativa complexidade estrutural. Está inserida na faixa de dobramentos do Ribeira apresentando na parte centro-sul, por onde corre o vale do rio Ribeira, maior concentração de rochas de baixo metamorfismo, sobretudo os filitos, quartzo-filitos, bem como calcáreos, e metamórficas de mais alto grau como os quartzitos, mármores dolomíticos e, nas partes mais a norte e sul, presença marcante de migmatitos de estruturas variadas e extensas ocorrências de granitos sintectônicos.

Em função de suas características geológicas, geomorfológicas e climáticas, a área apresenta uma complexidade muito acentuada de tipos de solos. Embora prevaleçam os solos rasos, os afloramentos rochosos  são mais evidentes nas ocorrências de quartzito e de granito. Entretanto, são encontrados com razoável freqüência solos muito espessos, alternando-se nos  setores de vertentes, dadas as diferenças de inclinação com solos mais rasos. Assim, têm-se como dominância, os Cambissolos álicos e Cambissolos distróficos,  que se associam com Podzólicos Vermelho-amarelos e Latossolos Vermelho-amarelos, preferencialmente de texturas argilosas a muito argilosas, sendo pouco freqüentes os Litólicos e os  Afloramentos Rochosos, apesar do caráter montanhoso da região.

Do ponto de vista climático, é  extremamente úmida, com índices pluviométricos anuais variando entre 1000 mm/a  a 3000mm/a respectivamente para os anos menos  e mais chuvosos. As chuvas ocorrem o ano todo em função do efeito orográfico, de um lado, e das freqüentes entradas das frentes frias, de outro, sendo que os meses menos chuvosos ocorrem em junho, julho e agosto. As temperaturas são pouco mais baixas, sobretudo em função das altitudes e da latitude, indicando valores médios anuais para as médias das mínimas entre 11 a 20 graus e médias das máximas entre 22 a 32 graus.

Neste ambiente montanhoso e chuvoso, desenvolve-se a Floresta Tropical Atlântica, densa, alta contínua e extremamente rica em biodiversidade. Aparece com freqüência setores, sobretudo próximo das estradas e do rio Ribeira de Iguape, de áreas desmatadas com agricultura e pecuária de susbsistência, ao lado de terras abandonadas com capoeiras e extensos bosques de matas secundárias em elevado estágio de auto-recuperação.

A ocupação humana é, em sua maior parte, incipiente, principalmente no Estado de São Paulo, onde prevalece população cabocla tradicional, que habita pequenos aglomerados de casas rurais ou mesmo isoladamente, praticando além da agricultura e pecuária de subsistência extrativismo incipiente de espécies vegetais medicinais, alimentares e oramentais. Essas populações geralmente ocupam setores de relevo menos inclinados como pequenas planícies e terraços fluviais, que são sucetíveis às inundações periódicas ou nas baixas vertentes dos morros próximos aos fundos de vales. No pequeno trecho que abrange o Estado do Paraná, prevalecem áreas desmatadas com extensos setores com capoeira e matas secundárias  fruto do relativo abandono das terras, face as dificuldades de cultivo que as condições naturais impõem, ao lado de atividades pecuárias extensivas de baixa produtividade.

No Estado de São Paulo, onde as condições de preservação são bem maiores, a área está quase totalmente delimitada por Unidades de Conservação Ambiental  Estaduais, como Parques, APAs, Reservas, Zonas de Vida Silvestre e tombamentos do Patrimônio Natural. No âmbito da fragilidade, é uma região sensível  não só nos aspectos da biodiversidade, mas também no âmbito dos processos geomorfológicos, pois se trata de ambiente extremamente propício aos desencadeamentos de processos erosivos de todos os tipos, bem como altamente susceptível aos movimentos de massa ou  escorregamentos de terras e rolamentos de blocos.

Nos levantamentos de campo, pôde-se observar nos cortes de estradas e até mesmo fora deles muitos escorregamentos, principalmente nos mantos de alteração dos filitos, micaxistos, calcáreos e migmatitos de estruturas bandeadas. Algumas medidas com  penetrômetro de bolso indicaram índices de penetração oscilando entre 2.5 a 3.5 para escala de 0 a 4.5 Kgf/cm2,demonstrando ser relativamente grande a fragilidade potencial desses terrenos. 

 

V-Unidade: sistema de morros em superfície de cimeira do Alto Ribeira.

 

Os Planaltos do Alto Ribeira constituem um ambiente montanhoso com topos nivelados nos divisores principais  em torno dos 900 m, encontrando-se setores mais elevados que atingem 1000-1100 m, geralmente mantidos por rochas metamórficas mais resistentes como o quartzito, apresentando morfologia de cristas alongadas e contínuas ou massas intrusivas graníticas, que estendem-se por grandes áreas.

Alternando a esses relevos alongados e mais altos, prevalecem formas em morros de topos convexos com vales relativamente estreitos e profundos com vertentes muito inclinadas, geralmente variando entre 30 a 60%. Essa morfologia, com relevos extremamente dissecados do tipo Dc24, Dc33, Da33, Da32, Da43,e secundariamente Dc22, Dc14, é esculpida em uma grande diversidade de formações rochosas com destaque para os filitos, quartzo-filitos, ortognaisses, paragnaisses, quartzitos, calcáreos e mármores dolomíticos, granitos porfirídicos e granitos sintectônicos, alinhados estruturalmente na direção regional NE-SW.

Os setores de relevos mais rebaixados são mantidos predominantemente pelos filitos e calcários, à semelhança do que ocorre na unidadeIV. Nessa complexidade lito-estrutural, que condiciona o desenvolvimento de padrões de relevos muito vigorosos, desenvolve-se também uma grande diversidade de solos, com prevalência dos Cambissolos álicos, Cambissolos distróficos em associação com Litólicos e afloramentos rochosos, que somente ocorrem nas vertentes muito inclinadas e nas áreas de domínio dos quartzitos. Já os solos do tipo Podzólico Vermelho-amarelo e Latossolos Amarelos e Latossolos Vermelho-amarelos álicos de textura argilosa tendem a ocorrer nos setores menos inclinados das vertentes dos morros, em associação com os Cambissolos, mas sobretudo em manchas contínuas, nas áreas das cabeceiras dos tributários do Ribeira, na Superfície de Cimeira Regional (nível dos 900m), onde ocorrem os relevos em forma de colinas e morros baixos com vales menos entalhados e vertentes menos inclinadas.

Nos fundos de vale dos rios Ribeira e de seus afluentes maiores, são freqüentes as ocorrências de restritas planícies fluviais estreitas e pouco alongadas, posicionadas nos setores côncavos das sinuosidades do leito fluvial e, por serem de origem fluvial, são susceptíveis a inundações periódicas. Algumas cidades como Ribeira, Itaóca, Adrianópolis e Cerro Azul, além de sedes de fazendas e pequenos povoados rurais se instalaram nesses sítios. São terrenos baixos e encravados no meio dos morros com solos aluviais e de riscos devido a inundações periódicas anuais

No aspecto climático, é uma região um pouco mais fria, porém bastante úmida. Os índices pluviométricos anuais variam de 1000 mm/a para os anos menos chuvosos podendo, em pontos isolados, chegar a 4000 mm/a para os anos mais chuvosos. As chuvas ocorrem o ano todo, sendo os meses menos chuvosos junho, julho e agosto. As temperaturas médias das mínimas anuais oscilam de ano para ano entre 11 e 20 graus, enquanto as  médias das máximas anuais variam de ano para ano entre 22 e 32 graus.

Desenvolvia-se nessa área a Floresta Tropical Atlântica, com áreas de transição para a Floresta da Araucária, encontrada residualmente nos setores mais frios e altos da região. É uma área totalmente ocupada pelas atividades agrícolas com destaque para culturas temporárias e citricultura em Cerro Azul e arredores, prevalecendo, entretanto, para o conjunto da unidade, pastagens com criação extensiva bovina, extensas e dominantes áreas de silvicultura de pinus voltada para a indústria madeireira e produção de resinas, embora encontre-se descontinuamente extensas áreas de capoeiras em pastagens abandonadas, bosques de mata secundária  em elevado estágio de auto-regeneração, bem como bosques  muito restritos e isolados de mata de araucária e mata secundária de bracatinga.

Além dessas atividades, são encontradas tanto no Estado de São Paulo, no entorno de Apiaí, como no Estado do Paraná, nas vizinhanças de Rio Branco do Sul e Abapã, próximo à Castro, intensa atividade mineradora voltada para a extração do calcário, utilizado tanto para a indústria de Cimento (Rio Branco do Sul e Apiaí) como para  produção de Cal e corretivo  de solos. Há, ainda, a exploração de granito para pedras ornamentais e brita em pontos isolados.

No aspecto da fragilidade, as características do  relevo indicam que a área é muito suscetível aos processos erosivos, sobretudo os produzidos pelo escoamento superficial das águas de chuvas que são abundantes. A característica do relevo, associada ao clima chuvoso e acrescentada às atividades agrícolas convencionais, juntamente com uma rede de estradas com leito sobre terra ou  em cascalho, sem uma adequada manutenção para controle do escoamento das águas pluviais, produzem muita atividade erosiva. Os deslizamentos de terras, embora tenham sido observados em alguns pontos ao longo dos  cortes de estradas, são bem menos freqüentes do que na área serrana/montanhosa da unidade IV. Embora a Unidade esteja praticamente desmatada, grandes áreas estão sendo utilizadas com florestamento de pinus.

Do ponto de  vista ambiental, isso é preferível às pastagens ou, principalmente, às agriculturas convencionais altamente predatórias para as características da região. A potencialidade natural da área é dominantemente para silvicultura e mineração de calcário, granito e outros recursos minerais, e, secundariamente, para atividades de pecuária e, em  setores muito restritos, para agricultura tecnificada de grande escala.


 


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