GEOUSP _ Espaço e Tempo, São Paulo, Nº 11, pp.155-161, 2002

Pensar e Projetar a Cidade do Século XXI: desafios para a construção da problemática urbana

José Augusto Martins Pessoa*

crítica da produção geográfica brasileira, nos últimos cinqüenta anos; quando se pretendeu fazer um balanço, uma necessidade imposta pelo momento atual"; o vii simpurb apostou no sentido oposto: "Pensar e projetar a cidade do século xxi: desafios para a construção da problemática urbana". Em outros termos, pôs no centro dos debates _ é possível construir uma problemática urbana que evidencie, ao mesmo tempo em que contemple, um pensamento sobre a cidade e o urbano hoje? Seria a Geografia, um campo de conhecimento ou uma ciência parcelar, capaz de apreender este fenômeno em sua totalidade? Quais os limites e as possibilidades de nossa reflexão sobre a cidade e o urbano? Como pensar as contradições do mundo moderno, o que aparece como novo e o que está posto como permanência; como ambos se realizam? Como desvendar os conteúdos do processo de urbanização, hoje? Para tanto apostou no novo, no relativamente novo, nas descontinuidades políticas, ações e projetos, que o mundo moderno e as possibilidades de reprodução da vida humana põem nesse momento no mais amplo sentido do habitar a cidade e do tomar parte na construção da sociedade urbana em

"A concentração e craftsmanship de Vulcano são as condições necessárias para escrever as aventuras e metamorfoses de Mercúrio. A mobilidade e a agilidade de Mercúrio são as condições necessárias para que as fainas intermináveis de Vulcano se tornem portadoras de significado..."

Italo Calvino, Rapidez (1985).

Desde o recebimento da primeira Circular com a Chamada de Trabalhos para a participação no vii simpurb _ Simpósio Nacional de Geografia Urbana/i Simpósio Internacional _ pudemos antever os largos desafios que nos defrontaríamos, individual e coletivamente, ao longo dos vários meses que o antecederam e, em especial, durante os dias de sua realização _ 15 a 19 de outubro de 2001. Doze anos já nos separavam do I Simpósio Nacional de Geografia Urbana, e o Departamento de Geografia da Universidade de São Paulo (dg/usp), com o Laboratório de Geografia Urbana (labur) e a Associação dos Geógrafos Brasileiros (agb/sp), voltou a sediar o evento. Se o "I Simpósio nasceu da necessidade de se fazer uma a avaliação

*Doutorando em Geografia Humana no Departamento de Geografia, da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, da Universidade de São Paulo _ fflch/usp, sob a orientação do Prof. Dr. André Roberto Martin.

E-mail: jampessoa@bol.com.br ou japessoa@usp.br


_ GEOUSP _ Espaço e Tempo, São Paulo, Nº 11, 2002

Pessoa, J.A.M.

Simpósios, mesmo que sob variados nomes: "A cidade, a metrópole e o modo de vida: segregação, conflitos, estratégias"; "Espaço e Estado: políticas urbanas em discussão", e "O embate entre as questões ambientais e sociais no urbano"1. Pode-se observar inclusive que o tema "Espacialidades e temporalidades urbanas" surge da fusão de Mesas Redondas de Simpósios passados2. Afiguram-se como novos, efetivamente, os outros três temas propostos: "Cultura e cidade"; "O trabalho na cidade" e "O urbano no mundo da mercadoria"3. Não obstante, estes últimos temas, recortes outros abertos para encaminhar o pensamento em caminhos diversos, também se pôs como novidade relativa as Sessões de Debates, sendo compostas suas mesas pelos autores de trabalhos selecionados e convidados, por pesquisadores estrangeiros e debatedores, e um coordenador, a quem coube, no último dia, sintetizar as idéias apresentadas e debatidas pelos presentes na Sessão, compondo então a única Mesa Redonda de Síntese com os demais coordenadores de Debates. Entre todos, o vii simpurb reuniu 350 participantes naquela semana; as mesas foram compostas por 47 pesquisadores nas Sessões de Debates, e sete na Sessão de Comunicações.

Pudemos verificar que os trabalhos apresentados se esforçaram em evidenciar a cidade e o urbano em seus processos contemporâneos, o que se mostrou profícuo. Visitando-os, de forma breve... Na primeira Sessão de Debates, foram levantadas questões que abriram caminhos teóricos para se pensar a cidade e o urbano na perspectiva da constituição das metrópoles brasileiras, face ao processo de urbanização em curso. Falou-se sobre uma identidade contraditória entre a cidade e a metrópole no atual processo de urbanização; sobre o papel produtivo da cidade no sentido de uma urbanidade expressa pela democracia, pela arte e pela filosofia, que se colocam como produções possíveis da cidade; propôs-se o conceito de metropolização do espaço para uma abordagem regional das cidades em que a urbanização,

ato; nas descontinuidades históricas, sociais e espaciais, que a cidade e o urbano hoje estabelecem para a reflexão geográfica; sobretudo, apostou nas descontinuidades do pensamento, positivo e negativo, que deve nascer das confrontações e conflitos entre o saber técnico, a coleção de fatos, os objetos materiais e imateriais, as atividades (re)produtivas, etc. de um lado, e do outro as dúvidas, as crises, as ameaças, os medos, os desabamentos de valores, as estratégias..., a requerer hoje, de nós pesquisadores, mobilidade e agilidade no pensar.

O termo hoje, a mim parece, contém um duplo significado, nos dirige duas perguntas nucleares. Indica a constatação de uma sociedade e uma urbanização dinâmica, multiforme e rica em conteúdos/contradições espaciais, reunindo tanto mutações quanto persistências. Há pesquisas e propostas no âmbito da geografia que evidenciem a cidade e o urbano do presente, quais possibilidades apontam? Indica, também, que a geografia urbana brasileira tem, ao longo de várias décadas, se debruçado sobre a morfologia das cidades e as práticas sócio-espaciais, elaborando um corpo de teorias, conceitos, noções, de estudos de caso específicos ou singulares, de propostas e manifestos, a partir de um acervo de perspectivas teórico-metodológicas diferenciadas e férteis, para compreender e intervir nas cidades e na sociedade urbana. Há no presente um conjunto de reflexões ou questões teóricas e de método, as quais possam ser expostas à análise crítica coletiva, enfrentando os desafios de construir uma problemática especificamente urbana? Em verdade essas duas perguntas bem se fundem em um único eixo de crítica _ "Como pensar o que se faz presente hoje na cidade e no urbano?", ou, melhor, "Como saber pensar a produção do espaço hoje, na aurora do novo século, por meio das abordagens geográficas?".

Com essa provocação, recortes temáticos nos foram listados para a produção e apresentação de trabalhos escritos nas Sessões de Debates. Três temas são recorrentes em vários


Pensar e projetar a cidade do século XXI: desafios para a construção da problemática urbana, pp.155-161

como conceito, estaria esgotada em sua possibilidade de expressar/revelar as diferenças e transformações espaciais, uma vez que todo espaço se encontraria urbanizado. De outra maneira, expôs-se pontos pertinentes sobre o recente processo de institucionalização de regiões metropolitanas no Brasil. Na Sessão seguinte, procurou-se afirmar que pensar a cidade como compósitos de espacialidades e temporalidades é reconhecer que o processo de produção do espaço urbano gera formas, conteúdos e representações os quais se inserem em múltiplos níveis de investigação e, nesse sentido, a cidade tem de ser notada nas diversas formas de apropriação do espaço e do tempo, o que permite estudos objetivando discutir o caráter multiespacial e multitemporal dos processos sociais que as produzem. Aqui, discutiu-se sobre os vários usos do tempo social e usos do espaço social e tomou-se como referência "os espaços de produção e os espaços de consumo"; registrou-se a noção de temporalidade como "sucessão e duração" e a idéia de espacialidade como "sincronicidade", procurando mostrar, por meio de uma periodização, a transformação de uma cidade-capital brasileira, de cidade colonial em um "centro histórico pós-moderno" para o consumo turístico. Exploraram-se, por outra perspectiva, as possibilidades de se usar o enfoque dos sistemas evolutivos nos estudos urbanos, como um dos estatutos metodológicos dentro da Geografia; de outra forma, indicou-se que "a revolução promovida pela telemática" pressupõe um olhar mais cuidadoso no que se refere hoje à concepção do tempo e do espaço quando se tratar do "mundo do ciberespaço" ou estudar o teletrabalho/o teletrabalhador.

A terceira Sessão afirmou que a dimensão cultural, uma entre as diversas dimensões para se analisar a cidade, contribui para ampliar a compreensão da sociedade em suas relações sociais, econômicas e políticas, e, em especial, das espacialidades e temporalidades associadas a essas dimensões. A cultura manifesta-se espacialmente, tornando-se objeto nas in

terpretações do (fenômeno) urbano. Assim, buscou-se encaminhar a compreensão dos significados do patrimônio e, principalmente, os significados da "gestão pública do patrimônio" e das territorialidades relativas ao patrimônio urbano; expôs-se algumas relações entre espaço, religião e política; e a observação da cidade como obra de várias gerações _ a idéia de um palimpsesto. Compareceu aqui a questão do simulacro pelo viés da "mercantilização da cultura como política compensatória".

A Sessão de Debates "O trabalho na cidade" abordou o tema a partir da ótica da cidade contemporânea e seus problemas relativos à economia, destacando-se a importância e os limites da teoria marxista das classes sociais, nas análises sobre a reorganização e reestruturação do espaço e do tempo em ato nas cidades, fazendo emergir debates sobre a desindustrialização e a terceirização; sobre "a cidade informacional" e a relevância do "circuito inferior da economia", um dos maiores criadores de emprego e de espaços do trabalho; sobre a precarização do trabalho; e ainda sobre o papel do planejamento e sua relevância, enquanto se consideram os indivíduos como cidadãos portadores de direitos.

A quinta Sessão problematizou as políticas urbanas, ora apontando as transformações no espaço daí derivadas ora questionando a pertinência, tanto do planejamento oficial quanto da ação dos "planejadores alternativos", a importância do Estatuto da Cidade e da Reforma Urbana para chegar na "fragmentação do tecido sociopolítico-espacial da metrópole" e discutir a questão da violência e suas territorialidades; ou ainda (re)elaborando o conceito "patrimônio ambiental urbano", operacional para o planejamento urbano. Na seqüência, durante a outra Sessão foram discutidos os processos conflitivos que permeiam a relação entre a sociedade e o meio geográfico na qual se/o desenvolve, identificando as contradições próprias dessa relação que se materializa nas cidades brasileiras. Indicou-se o entrelaçamento de duas crises _ a am


_ GEOUSP _ Espaço e Tempo, São Paulo, Nº 11, 2002

Pessoa, J.A.M.

biental e a social, que se realizam na unidade do espaço geográfico, e reconhecendo a inseparabilidade entre o meio e a sociedade, procurou-se avaliar a superação dos dois modelos atuais de planejamento: o planejamento estratégico e o planejamento participativo. Por outros caminhos, sugeriu-se o deciframento do paradigma da natureza, como exterioridade que ganha realidade em nossa consciência, como recurso que circula aos pedaços e como meio ambiente no âmbito da organização social, entrando em um circuito de pagamentos onde aquela merece ser repensada no plano do cidadão. Foram trazidas ao debate as possibilidades (de gestão) da "base natural" em crise, sob a qual o urbano se sustenta, evidenciada pelo descompasso entre o ritmo lento da reposição da natureza e o ritmo intenso da acumulação do capital, quando se indicou "no sentido do desenvolvimento da sociedade amparado em saberes de cunho conservadorista".

Por fim, na sétima Sessão de Debates procurou-se abordar como o modo de produção de mercadorias no Brasil, do último quartel do Século xix até hoje, em diferentes recortes espaço-temporais, se realiza ao instaurar a propriedade privada e a vida cotidiana nas cidades e no urbano, em uma dimensão econômica que tende a produzir todo o espaço no sentido da troca, do negócio, do consumo. Indicou-se que o espaço se torna cada vez mais estratégico do ponto de vista da reprodução do capital, provocando uma profunda contradição entre a produção da cidade, como locus da realização da mercadoria, e a produção da cidade, como locus da reprodução da vida. Expôs-se a urbanização como síntese contraditória quando se dá, já nos momentos iniciais da transformação da terra em negócio, a produção de novas espacialidades, o embate entre o direito costumeiro e o direito positivo, e a redefinição do sentido da sociabilidade; também se destacou o papel da iniciativa privada, caracterizando os elementos de valorização do espaço empreendidos por meio de novas estruturas e serviços urbanos,

do Segundo Império até o final da Primeira República; observou-se a grande industrialização ocorrida nos anos de 1940 a 1950 em regiões específicas do país, e se discorreu sobre a metropolização e a restituição da propriedade privada da terra, posta de forma extensiva nesse momento. Abordou-se o consumo dirigido e generalizado, que apontam para a instauração do cotidiano nas nossas cidades, realizando a reprodução ampliada do capital e a reprodução do espaço as escalas do mundial e do lugar, indicando-se o estabelecimento do regime do hotel no plano da vida de todos os dias, por intermédio do deslocamento das práticas sócio-espaciais do habitar para as do circular e da passagem da idéia de "habitabilidade" para a noção de "hotelaridade", em esboço. Ainda tratou-se da "cidade-espetáculo" como mercadoria, a qual vende não só a representação da cidade, mas a cidade real, onde ambas são objeto de estratégias e de negócios, indicando que a presença do urbano e da urbanização como negócio não é de forma alguma uma exceção, é estrutural!

Esse rápido apanhado das Sessões de Debates pode mostrar a riqueza do ponto de vista dos conteúdos abordados, no qual fica mais uma vez claro o quão fértil é o ambiente do simpurb, como ambiente precipitador de pesquisas e novas reflexões. Entretanto, ao apontarmos as possibilidades entreabertas pelo/ao novo, o que fora buscado por poucos, ficamos aquém do esperado. Mais ainda, quando verticalizamos, no sentido de se expor nossas reflexões ou questões teóricas, mantemos clara a sedimentação reinante das diferentes perspectivas ou escolas teórico-metodológicas na geografia urbana brasileira; embora permaneçam subjacentes, pouco expressas e não postas ao debate, os percursos, as dificuldades e as questões de método. Ou seja, parece que individualmente, na maioria das apresentações, não desejamos abrir um campo de análise crítica ou não nos dispomos a expor e discutir nossas abordagens da problemática urbana hoje em curso. Assim, segundo pude ler, respondemos


Pensar e projetar a cidade do século XXI: desafios para a construção da problemática urbana, pp.155-161

superpostas "avaliações acadêmicas" de caráter quantitativo; a realidade urbana hoje é desconcertante e envolve já a todos, assim pesquisar e discutir a produção do espaço no presente e o como se pensa sobre este produto-processo presente hoje é, sem dúvida, tarefa das mais difíceis!

Noto, além disso, que é grande a semelhança entre o que conseguimos realizar nesse Simpósio, em suas relativas proporções, com o que realizamos em nossas atividades nos últimos cursos letivos, com nossos atuais alunos e orientandos, ou em nossas próprias pesquisas. Não será porque hoje a universidade pública e a atividade de pesquisa em Ciências Humanas no Brasil foram também seqüestradas pela presença recente do cotidiano? Merece, a meu ver, acurada reflexão de todos os envolvidos com o evento, enfrentando decididamente esta mutação que carrega e se nutre, sem crítica, da permanência de variadas práticas e reflexões imóveis.

Retomando o eixo central de crítica posto pelo vii simpurb, diria que seu objetivo fora trazer à luz a relação entre o movimento da realidade, do real, do presente, e o movimento do pensamento, do método, da(s) abordagem(ens) geográfica(s) no presente. Poderíamos mais uma vez escrever e falar da "crise do pensamento crítico", o que é hoje só mais uma maneira de escapar discursivamente de uma profunda crise geral do pensamento e de (novos) projetos políticos, sobremaneira na universidade. Se, podemos afirmar que, o presente hoje, enquanto lugar de nossa vida e objeto de nossos estudos, é marcado profundamente pelas diferentes territorialidades, coletâneas e contraditórias, onde a mobilidade se torna ubíqua; o nosso "campo" agora é o campo do movediço, do móvel! O vii simpurb tornou patente que buscamos encontrar os caminhos possíveis de uma (renovada) reflexão crítica, sobre o movimento, amplamente dirigida e generalizada pelo capital nesse início de século. Não somente sobre o movimento do real, mas acima de tudo,

parcialmente ao desafio axial proposto. Quanto aos debates, estes ainda só fluem entre alguns dos veteranos _ com larga contribuição científica no campo da geografia urbana, e os iniciados, aqui incluindo a maioria dos pesquisadores calouros _ jovens na pesquisa e nos Simpósios _; ou seja, aconteceu somente entre os integrantes das diversas mesas nas várias Sessões de Debates _ um mau "hábito" do debate restrito, gerado pelas Mesas Redondas e Sessões de Comunicações em outros eventos _, não somou de maneira substantiva novos pesquisadores ou participantes aos que já debatem as questões postas. Qual o porquê? Talvez receamos a exposição ao grupo maior? Ou talvez não lemos, quando vamos ao Simpósio, efetivamente os textos (podemos até não tê-los recebido previamente, alguns inscritos dirão!), logo estamos e nos mantemos despreparados? Essas questões apenas nos darão respostas tópicas ou superficiais! A leitura que faço dos resultados do vii simpurb, tendo participado ora de sua organização ora de uma mesa das Sessões de Debates, imagina que o problema pode estar em outros pontos: o nosso despreparo para a metamorfose na conformação deste Simpósio, resultando em não ter fomentado e nem agregado ainda aos debates um número maior de (novos) pesquisadores; a incapacidade da maioria dos textos enviados em responder a questão central posta em seu objetivo, cabendo então reler tanto os trabalhos selecionados quanto os não selecionados; o "vício" nosso com temas e tratamentos teórico-metodológicos em direções de pesquisa por demais cristalizadas, podendo nos levar, o que não deixa a salvo os pesquisadores veteranos, a procurar/querer encontrar sentidos predeterminados em novas investigações e não o que as mesmas procurarão/poderão desvendar e nos surpreender; a redução imposta aos prazos dos programas de pós-graduação e, por conseqüência, nas pesquisas de mestrado e doutoramento, associada ao aumento na carga de trabalho, impondo atividades várias aos professores-pesquisadores orientadores, a partir de constantes e


_ GEOUSP _ Espaço e Tempo, São Paulo, Nº 11, 2002

Pessoa, J.A.M.

significa já uma nova positividade em ato! Houve, por outro lado, cobranças para que se volte a incluir nos próximos Simpósios sessões de comunicações de pesquisas, ou, ainda melhor, se inclua Espaços de Debates com trabalhos selecionados a partir de temas. Outros cobram uma redução no tempo da sua realização para menos de uma semana, devido a grande demanda de trabalhos nos quais os professores-pesquisadores estão progressivamente envolvidos. Também se cobraram critérios de seleção e convite mais e mais explícitos. Esperamos que o livro a ser em breve publicado, contendo todas as apresentações, debates e sínteses elaboradas, mostre que nossos esforços não se fazem em vão.

Três últimos pontos devem ser marcados. Primeiro, as ausências-presenças do Professor Milton Santos, por diversas vezes lembrado, homenageado e citado; e do Professor Armando Corrêa, também lembrado e homenageado. Depois, a presença e a Conferência do geógrafo francês Marcel Roncayolo, sobre a pesquisa urbana hoje, na manhã do primeiro dia. Por fim devo lembrar que os Professores Edvânia Gomes e Jan Bitoun, do Departamento de Geografia da Universidade Federal de Pernambuco, já nos aguardam para o viii simpurb, nos dias de outubro do próximo ano, em Recife.

Vamos lá! Que a Rapidez esteja ao nosso favor!

São Paulo, verão de 2002.

digo até anteriormente, sobre o movimento do pensamento, das abordagens críticas ou pragmáticas com vistas a problematização do saber estabelecido ou do que acreditamos, sem dúvidas, já ter conhecimento. Implicaria, no plano teórico, a elaboração e, no plano metodológico, a observação por nós, individual e coletivamente, de polioramas. Seguindo os passos propostos por Italo Calvino para este milênio, as qualidades requeridas nos aproximariam de Mercúrio e deixariam em segundo plano os atributos de Vulcano, que desde há muito "movem" a Geografia4. Aqui, assinalo, a principal ventura desse Simpósio.

Há ainda outros méritos, e em especial, avanços a registrar. Reuniu mais uma vez geógrafos pesquisadores brasileiros, nomes com larga contribuição científica e nomes jovens, em um evento que não se propôs e não se realizou como evento de massa e muito menos evento-espetáculo. Trouxe outro formato e outra dinâmica para o debate de idéias no âmbito da geografia urbana. Abriu, explicitamente, três novos temas para conduzir o pensamento e os estudos de caso. Desautorizou relativamente à figura da autoridade nesse campo do conhecimento científico, orientando novamente um conjunto de referências de pesquisas no Brasil. Por fim, expôs igualmente a todos _ apresentadores e debatedores das pesquisas, bem como coordenadores _ estamos todos em xeque! O que

Notas

1. Carlos, Ana Fani Alessandri (org.). 1994. Os caminhos da reflexão sobre a cidade e o urbano. São Paulo, edusp, pp.9-15.

2. Cf. Abreu, Maurício de Almeida; Corrêa, Roberto Lobato; Dias, Leila Christina Duarte et al. (orgs.). 1993. Anais 3° Simpósio Nacional de

Geografia Urbana. Rio de Janeiro, agb/ufrj/ibge/cnpq; Camacho, Adilson Rodrigues. 1998. "5° Simpósio Nacional de Geografia Urbana de 21 a 24 de outubro/1997". geousp Espaço e Tempo - Revista de pós-graduação em Geografia, n.3. São Paulo, Dep. de Geografia/Humanitas/


Pensar e projetar a cidade do século XXI: desafios para a construção da problemática urbana, pp.155-161

vas geográficas. Presidente Prudente, fct/unesp/gasperr.

4. Cd-rom anais vii Simpósio Nacional de Geografia Urbana - I Simpósio Internacional. 2001. São Paulo, Dep. de Geografia/labur/usp/ agb/capes/cnpq/fapesp.

5. Calvino, Italo. Rapidez. Seis propostas para o próximo milênio: lições americanas. Tradução Ivo Barroso. São Paulo, Companhia das Letras [1985], pp.43-67, 1990.

fflch/usp, pp.109-13; Silva, José Borzacchiello da; Costa, Maria Clélia Lustosa; Dantas, Eustógio Wanderley Correa (orgs.). 1997. A cidade e o urbano: temas para debates. Fortaleza, eufc, e Sposito, Maria Encarnação Beltrão. 2000. "6° Simpósio Nacional de Geografia Urbana." geousp Espaço e Tempo - Revista de pós-graduação em Geografia, n.7. São Paulo, Dep. de Geografia/Humanitas/fflch/usp, pp.149-51.

3. Cf. ainda Sposito, Maria Encarnação Beltrão (org.). 2001. Urbanização e cidades: perspecti