Descobrindo Intervales Atlas Ambiental

 

 

botão Geologia

A Geologia regional do Parque Estadual Intervales é composta por três grandes conjuntos de unidades rochosas: 1) unidades relacionadas ao embasamento cristalino 2) unidades de rochas metassedimentares (incluindo as rochas carbonáticas) e 3) os granitóides intrusivos.

De acordo com o Mapa Geológico do Estado de São Paulo, publicado pelo Serviço Geológico do Brasil/CPRM em 2005, ocorrem as seguintes Unidades Litoestratigráficas na região do Parque Estadual Intervales:

QUATERNÁRIO
Q2a
Depósitos aluvionares
areia, areia quartzosa, cascalheira, silte, argila e, localmente, turfa.

NEOPROTEROZÓICO
NP3pY3afv
Granitos peralcalinos, tipo A: Freguesia Velha (FV).
NP3pY3ag
Granitóides indiferenciados quimicamente: Agudos Grandes (ag).
NP3pY3es
Granitóides indiferenciados quimicamente: Espírito Santo (es).
NP3pY3vg
Granitóides indiferenciados quimicamente: Vargem Grande (vg).
NP3eY1sse
Granitóides foliados peraluminosos, tipo S: Granito Sete Barras (SE).

NEOPROTEROZÓICO / Formação Iporanga
NP3ipp
Unidade metapelítica
Metassiltito, filito e ardósia intercalações de metarenito, em geral arcoseano.
NP3ipb
Unidade metabásica
Anfibolito.

NEOPROTEROZÓICO / Complexo Embu
Npeq
Unidade quartzítica
Quartzito, quartzo xisto e quartzo filito.
NPexm
Unidade de xistos, localmente miloníticos
Muscovita-biotita-quartzo xisto com cianita, estaurolita, granada, sillimanita e quartzo xisto com muscovita, biotita, granada e plagioclásio alternados ritmicamente, intercalações de rocha calcissilicáticas, anfibolito e metaultramáfica.
NP2pY1lag
Granitóides foliados e ortognaisses, tipo I, calcialcalinos de alto K: Agudos Grandes (ag).

NEOPROTEROZÓICO / Formação Turvo-Cajati
NPtcp
Unidade paragnáissica
Biotita-granada-sillimanita paragnaisse ocorrem intercalados quartzito, quarto-mica xisto, anfibólio xisto e calcissilicáticas.
NPtcm Unidade carbonática Mármore e mármore dolomítico intercalados com mica-quartzo-xisto, metagrauvaca, metárcose e gondito.

MESOPROTEROZÓICO / Super Grupo Açungui / Subgrupo Lajeado
MPbv
Formação Passa Vinte
Metacalcário bandado, localmente com tapete algáceo, calcixisto, metamarga, metarenito e filito.

MESOPROTEROZÓICO / Super Grupo Açungui / Formação Furnas-Lajeado
MP1flc
Unidade carbonática (c)
Calcarenito com cross lamination e climbing ripples, calcilutito calcítico e metacalcário calcítico com hummockies, brechas.
MPflt
Unidade terrígena
Calcixisto, metassiltito e filito.

MESOPROTEROZÓICO / Super Grupo Açungui / Formação Betari
MPb
Metarenito e metaconglomerado oligomíticos, metassiltito e filito gradando para metaritimito fino.

MESOPROTEROZÓICO / Super Grupo Açungui / Formação Piririca
MPpi
Grafita filito metavulcanossedimentar, microporfiroclástica, com espessas intercalações de metamáfica/ultramáfica e de sericita-quartzo filito bancos de metamarga bandada associados a calcifilitos.

MESOPROTEROZÓICO / Super Grupo Açungui / Grupo Votuverava
MP1vot
Unidade terrígena: metassiltito, metargilito foliado, metarenito lenticular, metaconglomerado polimítico, metabasito, rocha vulcanoclástica e formação ferromanganesífera interdigitados.
MP1vovs
Unidade metavulcanossedimentar: metavulcânica, metadiabásio, metagabro, metavulcanoclástica, metarritimito com termos carbonosos, filito, quartzito ocorrem metachert e grafita filito.
MP1nh
Formação Nhunguara
Sericita metapelito, homogêneo a finamente aminado, com intercalações de grafita filito, sericita-clorita-carbonato filito metamarga e bancos de metarenitos maciços raros metamáfica subordinada.
MP1pe
Formação Ribeirão das Pedras
Filito ritmico sericítico, metachert, metasiltito, metarenito fino ferruginoso ou manganesífero e lentes carbonáticas metamáfica subordinada.

MESOPROTEROZÓICO / Super Grupo Açungui / Formação Água Clara
MP1acc
Unidade carbonática
Calcissilicática foliada com intercalações de lentes de mármore puro e impuro e metabásica.
MP1acx
Unidade de xistos
quartzo-mica xisto com intercalações de grafita xisto.

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botão Geomorfologia

O Parque Estadual Intervales (PEI) situa-se entre as unidades morfoestruturais do Cinturão Orogênico do Atlântico e a Bacia Sedimentar do Paraná. Tais unidades, trabalhadas pela ação climática, resultam em três macro-compartimentos geomorfológicos ou morfoesculturas denominadas: Planalto de Guapiara, Serra de Paranapiacaba e Depressão Tectônica do Vale do Ribeira.


O Planalto de Guapiara, situa-se na porção norte do parque, com altitudes predominantes entre 800 a 1000m e declividades médias de 20 a 30%, caracterizada pelas formas denudacionais com modelado de morros baixos, morros cársticos e alguns trechos de serras, sendo seus topos convexos, podendo ser aguçados (nos trechos de serras) ou cônicos (nos relevos cársticos).


O Planalto do Ribeira Turvo, com altitudes em torno de 200 a 800m e declividades predominantes de 20 a 40%, sua ocorrência é observada em quase toda a área do PEI, caracteriza-se pelas formas de relevo denudacionais, muito dissecado, constituídas por morros com topos convexos a aguçados e setores escarpados.

A Depressão Tectônica do Vale do Ribeira apresenta altitudes entre 60 a 190m e declividade de 2 a 20%, à sudeste do PEI, apresenta formas de relevo denudacionais predominantes com modelado constituído principalmente por colinas, patamares aplanados e planície fluvial (ROSS e MOROZ , 1996 apud SANO, 2007).

 

botão Solos

Os principais tipos de solos presentes no Parque Estadual Intervales são: Neossolo Litólico, Neossolo Flúvico, Cambissolo Háplico, Latossolo Vermelho-Amarelo, Latossolo Bruno-Amarelado e Organossolo associado a gleissolo.

Há uma predominância de Neossolos Litólicos e Cambissolos Háplicos associados a granito, filito ou calcário. Em seguida têm-se Latossolos Vermelho-Amarelos associados a granito e Latossolos Bruno-Amarelados associados a filito, ambos de textura argilosa e com associação a Argissolo Vermelho-Amarelo. Os Neossolos Flúvicos apresentam associação com filito, calcário, mármore, diabásio e siltito, micaxisto e material aluvial. Em menor ocorrência está os Organossolos e Gleissolos associados a micaxisto e material aluvial.

 

botão Hidrografia

A Serra do Paranapiacaba é o divisor de águas entre a Bacia Hidrográfica do rio Ribeira de Iguape, cujos rios seguem em direção ao Oceano Atlântico, e a Bacia Hidrográfica do rio Paranapanema, cujas águas fluem em direção ao rio Paranapanema afluente do rio Paraná.

A rede de drenagem do Parque Estadual Intervales apresenta a maioria de seus cursos d'água voltados para Bacia Hidrográfica do rio Paranapanema, coincidindo com a existência de várias cabeceiras de rios tributários do mesmo (como os rio Taquari, Braço Grande, Etá, Pilões e Ivaporunduva), restando somente uma cabeceira de drenagem na porção noroeste do parque.

Tais rios apresentam vales encaixados, profundos e trechos com cachoeiras nas serras e escarpas. A configuração da rede de drenagem e das formas geomorfológicas são resultado, em parte, da estrutura geológica da serra de Parnapiacaba, de constituição granítica (SANO, 2007).

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botão Clima

O clima predominante da região é o subtropical de altitude (Cwa, segundo a classificação climática de Köppen, baseada em dados mensais pluviométricos e termométricos), com alta pluviosidade no verão, sem inverno seco, com chuvas se estendendo por todo o ano.


O Parque Estadual Intervales se localiza na região sul do Estado de São Paulo e recebe a influência, principalmente, de duas massas de ar, a Tropical Atlântica (predominante e constante, resonsável pela distribuição de chuvas) e a Polar Atlântica (responsável pelas quedas bruscas de temperatura) (Sano, 2007), sendo que boa parte de sua área engloba as encostas da Serra de Paranapiacaba com altas declividades, com altitudes chegando a 1.100 m.

Esse padrão de altas encostas funciona como uma barreira para o avanço das massas de ar provenientes do Sul do continente e do Oceano Atlântico, o que faz com que as nuvens sejam empurradas para o alto desses paredões se condensando, ocasionando assim, muita chuva e neblina (Ecotour, 2005). Essa característica microclimática ocasiona alta precipitação ao longo do ano, onde o total anual de dias chuvosos varia de 125 a 150 (Leonel e Silva, 2001), com médias de precipitações variando de 2000 a 3000 mm/ano e alta umidade relativa do ar que varia entre 65 e 100% (Ecotour, 2005).

As temperaturas médias anuais variam de 15ºC a 22ºC, respectivamente de inverno para verão (Saia, 2006). Nos meses mais frios, as temperaturas mínimas absolutas anuais chegam a -4°C nas altitudes mais elevadas, ocorrendo de um a cinco dias de geadas por ano (Leonel e Silva, 2001).

A complexidade das variações climáticas locais devem-se, principalmente às características da região, ou seja, devido às faces de exposição à radiação solar das montanhas, morros ou morrotes, mais frias na face sul e acentuadas nessas latitudes maiores à ação dos ventos, sendo os fundos de vales mais protegidos que as áreas entre as drenagens (interflúvios) e topos de montanhas à presença de neblina nas cotas mais altas de altitude, capaz de aumentar a quantidade de água disponível às drenagens, que favorecem maior umidade no solo e, em algumas circunstâncias permitem a penetração de luz nas suas margens, no interior das florestas e as variações bruscas de temperatura entre uma área e outra do parque são decorrentes da elevação altitudinal, quando há queda de aproximadamente 0,6°C na temperatura média anual, a cada 100m de elevação (Leonel e Silva, 2001).

 

botão Vegetação

A cobertura vegetal predominante no Parque Estadual Intervales (PEI) é a Floresta Ombrófila Densa (Floresta Pluvial Tropical), que necessita de muita água. Com árvores que atingem até 35 metros de altura, sua flora é rica e diversificada, com destaque para o cedro e canela, o palmito juçara, as epífitas, como bromélias e orquídeas, que vivem na sombra da floresta, e as lianas, que são os cipós.

A Floresta Ombrófila Densa é o mais exuberante dos ecossistemas da Mata Atlântica, com grande ocorrência de endemismo (espécies que só ocorrem nesta região) e os maiores índices de biodiversidade de todo o planeta.

É importante ressaltar que embora a vegetação do PEI apresente um exuberante vigor vegetativo, trata-se em sua maioria de Mata Secundária derivada de Floresta Ombrófila Densa Montana ou Submontana. (Extraído do panfleto informativo do PEI).

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botão Referências bibliográficas

ECOTUR MEIO AMBIENTE E TURISMO, 2005. Disponível em: <http://www.revistaecotour.com.br> Acesso em: 14 nov. 2007.

FOLHETO INFORMATIVO DO PARQUE ESTADUAL INTERVALES. Organizado por: FUNDAÇÂO FLORESTAL, SERCRETARIA DO MEIO AMBIENTE E GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO, s/d.

Geologia e Recursos Minerais do Estado de São Paulo - Escala 1:750.000.
Serviço Geológico do Brasil/CPRM, 2005.

LEONEL, C. e SILVA, A.N. Pesquisas Científicas e Manejo em Intervales. Apud SÃO PAULO (Org.). Intervales/Fundação para a conservação e produção florestal do Estado de São Paulo. São Paulo. 2001.

ROSS, J. L. S. MOROZ, I. C. Mapa geomorfológico do Estado de São Paulo. Revista do Departamento de Geografia da FFLCH/USP, v. 10. 1996.

SAIA, S.E.M.G., 2006. Reconstrução Paleoambiental (vegetação e clima) no  quartenário Tardio com Base em Estudo multi/interdisciplinar no Vale do Ribeira (sul do Estado de São Paulo). Universidade de São Paulo. Piracicaba. 2006.

SANO, N. N. Estudo comparado da gestão das visitações nos Parques Estaduais Turísticos do Alto da Ribeira (PETAR) e Intervales (PEI). 2007. Dissertação (Mestrado) – Universidade de São Paulo, São Paulo.